terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

. Por que ler os clássicos

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Ivan Lessa em ilustração de Baptistão

A Companhia das Letras está lançando uma edição especial de dois ensaios do escritor italiano Italo Calvino. É um livro pequeno, de capa dura, de impressão e diagramação impecáveis e que se destina a celebrar a união entre a Penguin e a Companhia, que juntas lançarão os clássicos no Brasil, a partir do ano corrente. O primeiro ensaio é o que dá título a estas linhas, assim mesmo, sem interrogação e de acordo com o abominável “acordo ortográfico” da Língua Portuguesa em vigor, supostamente, desde o ano passado, mas que, felizmente, virou e continuará a ser apenas mais uma reforma ortográfica brasileira. E acabaram as objeções.

Sempre tive paixão pelo Calvino, a quem trato com a maior intimidade, e achava que tinha lido tudo dele, ao menos em ficção, mas confesso que não conhecia nem o que dá título ao esplêndido opúsculo nem o segundo, As odisséias na Odisséia, que eu grafo, implicante que sou, com o acentinho para mim clássico há décadas.

O que me desbundou, como dizem os eminentes críticos literários, foi o Por que ler os clássicos. Vinte e duas páginas apenas, mas argumentadas com a clareza e a concisão de quem – impossível evitar dizê-lo – já virou um clássico. Clássico moderno, ao menos, embora não seja a eles que Calvino esteja se referindo.

Devagar e lúcido, Calvino vai enumerando as razões para se ler um clássico. Como se estivesse dizendo a coisa mais óbvia do mundo. Aqui entro eu, metido a besta, e já vou peruando: mas a definição de um clássico é precisamente a de dar a impressão de ser a coisa mais óbvia do mundo, só que não tínhamos reparado antes por excessivo respeito ou mesmo medo. Não é preciso tratá-los aos pontapés, vou dialogando com o mestre italiano, mas ir aos poucos, página após página, neles reconhecendo um velho, ou melhor novo, amigo.

De cara, Calvino estabelece o seguinte:

“Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: 'Estou relendo...' e nunca 'Estou lendo'...”

E mais:

“Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado (...)”

Prossegue costurando com agulha de ouro, feito aquele alfaiate:

“Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.”

Mais umazinhas:

“Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.”

“Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.”

E vou parar de citar, ou copiar, para não tirar o prazer de quem tiver o bom senso de se chegar ao ensaio, aliás já publicado pela própria Companhia em 1991. Só mais unzinho antes de eu dar minhas peruadas:

“Chama-se de clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança de antigos talismãs.”

Depois de atravessar as tais 22 páginas, se me ocorreu um pensamento, para variar nada original. Tudo que Calvino explicita em suas linhas pode ser aplicado a todas as artes. No meu caso, principalmente as populares. Como apreciar jazz sem conhecer seus clássicos? Ou seja, Buddy Bolden, Jelly Roll Morton, Kid Ory, King Oliver, Louis Armstrong. Cabe neles a argumentação de Calvino como uma luva, para usar de um símile também clássico, só que sem graça.

E o cinema? Ponto por ponto válido para cinema toda e qualquer ponderação calviniana. O menino ou a menina gostaram de Avatar? Tudo bem. Agora cheguem-se a Griffith, Murnau, Eisenstein, von Stroheim e a lista, como em tudo mais, segue por aí afora até ontem mesmo, se quiserem.. E não, eu não esqueci o samba, não, senhor: Pixinguinha, Donga, Sinhô, Orestes Barbosa, Ismael Silva, Noel Rosa, gente que não acaba mais.

Tudo vai melhor com um clássico. Até mesmo Coca-Cola e, principalmente, Guaraná Antarctica, este também, em sua categoria, um clássico.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nelson Mandela - Trova - Africa do Sul - Celular

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imagem: créditos para

Segundo pesquisa recente da consultoria Bernstein “não sei das quantas” (só sei que li ontem na folha) coloca o minuto de celular no Brasil em segundo lugar entre os mais caros do mundo. O país só perde para a África do Sul.

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E por falar... amanhã, há 16 anos, o mundo assistia à vitória de uma nação na luta contra a discriminação racial e a defesa dos direitos humanos e da democracia. Exatamente em 9 de fevereiro de 1994, a África do Sul, elegia o primeiro presidente negro da história daquele país, o líder do movimento anti segregacionista, Nelson Mandela. Na ocasião fiz a seguinte trova:

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A alma do povo africano

corre livre na banguela,

é o fim do apartheid insano

graças a Nelson Mandela!

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A política do apartheid ("separação" em africânder) foi adotada, no país, legalmente, em 1948, e representava um sistema legalizado de discriminação que manteve o domínio da minoria branca nos campos político, econômico e social. Separados por meio da imposição de regras racistas, os negros eram obrigados a viver sem nenhum tipo de cidadania.

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Fonte de pesquisa { jornais }

Folha de S. Paulo e

Diário do Nordeste

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GOSTEI, FAVORITEI...e compartilho com vocês

Dicionário Caldas Aulete -

Costura, borda e... pinta o sete!

http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital

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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pe. Antonio Vieira

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Aniversariante do dia

António Vieira
António Vieira
Retrato do Padre António Vieira, de autor desconhecido do início do século XVIII.
Nascimento 6 de fevereiro de 1608
Lisboa
Morte 18 de Julho de 1697
Bahia
Nacionalidade Bandeira de Portugal português
Ocupação religioso, escritor e orador

fonte: Wikipédia
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Pobre, dos Pobres / ALQUE



POBRE, DOS POBRES ...

Pobre, dos pobres do mundo inteiro...
Que de janeiro a janeiro,
Levam a vida por um triz.
No inverno escorrem nos bueiros,
No verão queimam em braseiros...
E nem sabem o que é ser feliz.

No peito há um frio, de campo minado...
Cruzar o rio, está arriscado...
Pois tem cerca no meio...
E sempre pelo correio,
Seus sonhos são confiscados.

Tom da pele , não muda clemência...
Sua presença ou ausência,
Nada tem a ver com a cor.
Nos pólos, sofrem com o frio...
E o prato é também vazio,
Na linha do Equador.

ALQUE { Abracista}

comentários:
Blogger Dalinha Catunda disse...

Oi Alque,
Retratar a pobreza é uma tarefa difícil, mas cabe aos poetas esta missão.
Você com sua nobre visão retratou com maestria.

Um abraço, amigo
Dalinha Catunda


Airton Soares - "AS" disse...

POBRE, DOS POBRES ...

Poesia... penetrante como um estilete..."realismo exato e minuncioso"...uma gangorra enguiçada...que só desce em direção à linha do EquaDOR...que horror!

Jessier Quirino em Fortaleza

CLUBE DA VIOLA

Informativo Eletrônico

Ano III – nº. 22 – Fevereiro de 2010

Jessier Quirino em Fortaleza

O Clube da Viola, atendendo aos anseios do público de Fortaleza, traz dia 04 de Março para única apresentação no Teatro José de Alencar o poeta Jessier Quirino.

Será uma oportunidade rara assistir ao espetáculo “Berro Novo”, o mais recente trabalho do fantástico declamador paraibano, haja vista que a sua agenda está absolutamente lotada para os próximos meses (vide site do artista). Além do deleite com o show a platéia poderá também adquirir todo o seu material literário e fonográfico, inclusive o recém lançado livro Berro Novo (acompanha CD), devidamente autografados.

Jessier Quirino

O Mago da Declamação

Serviço

Evento: Show “Berro Novo” com Jessier Quirino

Local: Teatro José de Alencar – Centro – Fortaleza/CE.

Data: 04/03– 20 Horas

Organização: Clube da Viola

Informações: Orlando Queiroz: (85) 9998.0827 - 8856.2190 - violanordestina@yahoo.com.br

Apoio Cultural

APCEF-Saúde – O Convênio do Pessoal da Caixa Econômica Federal. Confira as vantagens de se associar ao APCEF-Saúde pelo site www.apcefsaudece.com.br ou pelos telefones (85) 3264.9500 – 3229.0797.

Olhando-se < Silas Falcão


Quando planejamos mudar nossos modelos mentais, novos paradigmas são necessários. NUNCA assumimos novos comportamentos mantendo os mesmos pensamentos. A conquista de uma vida nova é resultado dos valores novos que incorporamos as nossas atitudes diárias. Possuir uma mente flexível é uma qualidade do caráter humano fundamental para realizar o que sonhamos. NADA é IMPOSSÍVEL quando acreditamos que somos capazes. Mas primeiro é necessário MUDAR. E só quem pode realizar essa mudança é VOCÊ. As leituras e pessoas agregadas ao processo de mudança são importantes como fontes de influência e referência para o que se quer conquistar, mas NADA MUDARÁ SE VOCÊ NÃO QUISER MUDAR.

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Silas Falcão, Abracista - SESC


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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quase-elegia para o Poeta Mário Gomes - Carlos Roberto Vazconcelos

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Quase-elegia para o Poeta Mário Gomes


Carlos Roberto VaZconcelos

Mário, velho marinheiro,
tua nau perdida
na tempestade
e tantos versos extraviados;
tu resistindo
entre procelas
feito um camões vencendo a nado.
Mas a cidade, sem piedade,
quer te engolir:
Cuidado, Mário!
Serás poeta, santo, bandido
ou simplesmente um afogado.

Pobre fidalgo
da velha praça (teu escritório).
Quando te vejo ultrajado,
entre a bigorna e o malho,
tenho certeza que tua fúria
divide o mundo em duas raças:
os que te sabem poeta
os que te julgam espantalho
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Créditos para o blog ESCRITORES - ACE (Associação dos Escritores do Ceará )

Rachel de Queiroz - Curso de Extensão

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CURSO DE EXTENSÃO “CONHECENDO RACHEL DE QUEIROZ”
2010 – O ANO DE RACHEL DE QUEIROZ
LEI ESTADUAL N° 14.466, DE 15.09.09 (D.O. de 09.10.09)

VENHA CONHECER MELHOR A ESCRITORA CEARENSE RACHEL DE QUEIROZ E DEBATER SUAS OBRAS COM VÁRIOS PESQUISADORES, EM COMEMORAÇÃO AO CENTENÁRIO DE SEU NASCIMENTO.

LOCAL: AUDITÓRIO DO CENTRO DE HUMANIDADES DA UECE
Av. Luciano Carneiro, 345, Bairro de Fátima Informações: (85) 3101.2026
PERÍODO: de 03 de fevereiro a 31 de março de 2010(todas as quartas-feiras, de 17h às 19h)
INSCRIÇÕES: De 25 de janeiro a 03 de fevereiro na Secretaria do Centro de Humanidades
Investimento: R$: 10,00 (Com direito a fotocópias e a certificado de 30h/a)
E-mail para contato: cleudene@gmail.com

PROGRAMAÇÃO:
03/02 (quarta, de 17h a 19h30) – Profª. Cleudene Aragão (Letras UECE) – Os fabuladores artífices Rachel de Queiroz e Xosé Neira Vilas: vidasfeitas de terra, mar e palavra.

10/02 (quarta, de 17h a 19h30) – Profª. Cecília Cunha – Rachelzinha: uma escritora em formação.

19/02 (sexta, de 17h a 19h30) – Profª. Vania Vasconcelos (FECLESC) –As três Marias de Rachel de Queiroz e As meninas de Lygia FagundesTelles

24/02 (quarta, de 17h a 20h) – Profª. Edna Carlos (UECE) - Cacau e Caminho de Pedras: literatura e ideologismo político.

03/03(quarta, de 17h a 19h30) – Profª. Arminda Serpa (UECE) - Dôra, Doralina: um nome, a dor, o outro, a flor.

10/03(quarta, de 17h a 19h30) – Profª. Maria Valdenia da Silva(FECLESC) - (In)Formação na crônica de Rachel de Queiroz.

17/03(quarta, de 17h a 19h30) – Prof. Batista de Lima (UECE) - As dicotomias em O menino mágico, de Rachel de Queiroz.

24/03(quarta, de 17h a 19h30) – Prof. Rodrigo Marques (FECLESC) – A participação de Rachel de Queiroz no primeiro modernista no Ceará.

31/03(quarta, de 17h a 20h) – Profª. Lourdinha Leite Barbosa (LetrasUECE) - As personagens femininas de Rachel de Queiroz e Encerramento.
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Créditos para o blog ESCRITORES - ACE (Associação dos Escritores do Ceará )

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cordel - Big Brother Brasil

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E-mail de Carlos Roberto Vazconcelos


Autor: Antonio Barreto,

Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.

Curtir
o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.



Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.


Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual..

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.




Valdir Santiago, o poeta-vigilante

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O POETA ENTRE PACOTES E CARRINHOS DO SUPERMERCADO

Créditos para o blog do Dr. Mourão


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"Conheci o Valdir Santiago na Reitoria da Universidade Federal do Ceará. Era vigilante e conversava bem… E, como prestei atenção, ele logo mostrou uns versos que compunha na madrugada. Dizia ele: “os pássaros começam a chegar ao frescor da manhã que se inicia.”
A sensibilidade do escritor não deixava passar aqueles momentos. Registrava em métrica e rimas. Os homens dos gabinetes nem supunham que debaixo daquela farda azul, habitava um poeta.


Falou-me de sua saga em querer ser gente pelo caminho dos estudos. Não conseguiu muito, agora investia nos filhos. Queria vê-los doutores. Quanto a ele, apenas a vontade de um dia publicar um modesto livro. Depois perdi o Valdir de vista. Ele não sabia meu nome, nem quem eu era. E eu, muito menos, quem era aquele vigilante metido a poeta.


Mas o destino apronta surpresas. Um dia eu estava no Pão de Açúcar do Náutico. Escuto um “com licença doutor!”. “Agora estou por aqui. Deixei a Reitoria.” Nem foi preciso eu perguntar pelas poesias. Foi logo metendo a mão no bolso e puxando umas folhas rabiscadas. Eram novos poemas, a sua produção mais recente. E o sonho firme de um dia publicar um livro.


Passados alguns meses, foi o que aconteceu. Valdir veio entregar-me o convite especial de lançamento, feito no Clube Náutico. Com família, televisão e tudo que tinha direito. Momento ímpar de sua vida. Confessou-me depois.


Então, virou rotina o Valdir pegar os pacotes de compras, conversar com os clientes do Supermercado e, se for do gosto do freguês, vende um dos seus livros. Na farda, ele fez um bolso especial onde coloca os exemplares e sai oferecendo. Uma batalha diária… e com certeza, não é o dinheiro que mais o motiva.


O que faz um ser popular, quase anônimo, ter essa paixão tão intensa pelos livros? Por que essa vocação tão extremamente convicta, com prática diária e soberba devoção?
Acredito que Valdir Santiago foi escolhido pelos deuses da lira, da prosa, do escrever. Esses deuses, tão exigentes, querem a dedicação integral de seu súdito. E a recompensa? São muitas. São várias. São infinitas.


Vocês precisam ver o Valdir Santiago falando dos seus livros. Vocês precisam entender o que é encantamento. Ou se ouso dizer, possessão.


Sim. É isso aí… Valdir Santiago foi fisgado pelos deuses das letras e não querem largá-lo. Aí ele vira uma pessoa diferente. Um ente sensível que sabe extrair beleza do seu duro cotidiano.
Um caminheiro das letras e das estrelas. Poeta."

Texto de Antonio Mourão Cavalcante

Gertrude Stein - Aniversariante do dia

Gertrude Stein 1935-01-04.jpg

Gertrude Stein (nasceu dia 3 de fevereiro de 1874, em Pittsburgh, EUA - faleceu dia 27 de julho de 1946, em Paris, França). Foi uma escritora, poeta e feminista.

Tinha um apreciável círculo de amigos, como Pablo Picasso, Matisse, Georges Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picábia, Ezra Pound, Ernest Hemingway e James Joyce, isso apenas pra citar alguns.

fonte: Wikipédia

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nélida Pinon - Premiada

NÉLIDA PIÑON VENCE PRÊMIO CASA DE LAS AMERICAS

Folha Online - 30.01.2010 - A escritora Nélida Piñon venceu o prêmio literário Casa de las Americas, na categoria literatura brasileira, pelo livro de ensaios "O Aprendiz de Homero" (Editora Record). O anúncio foi feito na manhã de ontem. A obra reúne 24 ensaios da autora dos últimos cinco anos e expõe as referências literárias de Piñon, como leitora e escritora. O livro é seu primeiro desde "Vozes do Deserto", de 2005, quando a autora venceu o Prêmio Jabuti, nas categorias romance e livro do Ano. Nélida Piñon foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras. Fonte: Amigos do Livro.

Ler mais

sábado, 30 de janeiro de 2010

Apego...

(...)
Numa palestra outro dia um bombeiro disse que as pessoas que sobrevivem a um incêndio, a um naufrágio ou a alguma outra tragédia sempre tinham motivos para voltar para casa. Talvez sobreviver tenha mesmo uma relação direta com apego, com saudade ou com um senso de fazer parte de algo. (...)

Esta crônica vai mexer muito com você. Duvide e acesse:


http://literbra.blogspot.com/2010/01/desapego-saudade-blog-do-duilio.html

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bazar

[Bazar+Jan-10.bmp]

Bazar da Letras - SESC - / Cláudio Portella (convidado)

















e/d mediador Carlos Roberto Vazconcelos e e o escritor convidado Cláudio Portella.-

Escritor Cláudio Portella



















e/d - Abracistas Inês Ramalho e Lucinha (Coordenadora do "Abraço" )


























e/d - Haroldo Felinto ( presidente da ACE - Associação Cearense de Escritores ) e Eudismar Mendes atriz e escritora.












































fodaleza.com
à poesia marginal

Fortaleza, tende piedade de mim
não tenho mais idade de fugir
de morar onde não moras
Pois só perdes para jacaré no pinote
E, eu, sumo- sacerdote,
adoenço se não ouvir "Surra de Chicote"
no décimo andar do Jalcy
Fortaleza...

Saiba mais sobre o escritor Cláudio Portela:
http://www.revista.agulha.nom.br/cportella.html



Trova - Leitura / Airton Soares

Foto: Airton Soares

A leitura nos ensina

a separar o joio do trigo

para que no campo da vida,

floresça homem e não mendigo.

Airton Soares

Tem rapariga aí? - Texto de Ariano Suassuna


‘Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão.

Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero).

As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam).

Biografia de Ariano Suassuna

Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade. Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas.

Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:

Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),
Zé Priquito (Duquinha),
Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),
Chefe do puteiro (Aviões do forró),
Mulher roleira (Saia Rodada),
Mulher roleira a resposta (Forró Real),
Chico Rola (Bonde do Forró),
Banho de língua (Solteirões do Forró),
Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),
Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),
Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),
Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),
Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).

Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas. Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo.

O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental.

As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde.

Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na platéia’, alguma coisa está fora de ordem.

Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.
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CRÉDITOS PARA O BLOG CULTURA NORDESTINA

Texto singelo / Enviado por Carlos Roberto Vazconcelos

Encontrei este texto (em anexo) por acaso na internet, num blogue intitulado M de Mulher
Lembrei da Lúcia Crisóstomo, da Medeirinha, da Inês, da Eudismar, da Marina, da Cris, da Aglaís, enfim, de todas vocês...
bjs
CR

Gente, estou num daqueles dias em que o passado vem me visitar. Como diz Paulinho da Viola: "Eu não vivo do passado, o passado é que mora em mim". São experiências que vivi, agradáveis ou não. Negá-las é impossível -- é mentir pra si mesma! Bateu uma saudade danada dos bailinhos de improviso na casa de colegas da rua...

O que me trouxe essa lembrança foi o casamento de Aninha (Juliana Boller) com Ricardo (Guilherme Berenguer), em Paraíso. A palavra certa para definir a festa caiu em desuso, mas não consigo arranjar outra: singela. Tudo muito simples, sem malícia, tão transparente... A leitora pode não acreditar que um dia foi assim, mas eu juro que é verdade!

Jogávamos peteca na rua (valha-me Deus), 15 ou 20 moças e moços. Olhando para trás, agora, percebo como éramos inocentes. Não se trata de idealizar o passado -- era assim mesmo. Quando queríamos dançar, afastávamos os móveis da sala, ligávamos o toca-discos (valha-me Deus outra vez!) e passávamos horas ali. Não tínhamos vergonha de nossos pais, como hoje os moços têm.

Hoje, os pais nem podem participar das brincadeiras dos filhos. Nossos pais entravam na dança, o ritmo era o mesmo deles: samba, bolero, valsa. Não escondiámos nada. Ninguém bebia, a não ser limonada. Drogas? Nem sabíamos da existência. Sexo? Tá louca? Muitos casamentos saíram de bailinhos iguais ao da Aninha -- simples, verdadeiros. O mundo era nossa rua!

Lá, conheci o primeiro homem da minha vida. Mas eu era a única inquieta, como a ovelha que abandona o rebanho. Eu queria ver o mundo lá fora. Fui, deixei o amor sereno em busca de um sonho. Consegui, mas até hoje não sei se valeu a pena. Não ligue, cara leitora, é um ataque de saudade... só isso.

Xênia

O escritor J.D. Salinger morre aos 91 anos

folha Online, 28/01/2010


O escritor J.D. Salinger morreu aos 91 anos, "de causas naturais", em sua casa em New Hampshire, nos EUA.

Recluso havia muitos anos, o escritor não dava entrevistas desde 1980 nem se deixava fotografar.

Salinger tem livro ainda inédito em português
Leia repercussão da morte do escritor J.D. Salinger
Confira as obras de J.D. Salinger publicadas no Brasil
Obra-prima é manual do desajustado, diz professor; ouça

O seu livro mais conhecido, "O Apanhador no Campo de Centeio", foi lançado em 1951, quando ele tinha 32 anos.

Reprodução
Escritor J. D. Salinger, de "O Apanhador no Campo de Centeio", aos 44 anos
Escritor J. D. Salinger, de "O Apanhador no Campo de Centeio", aos 44 anos

O personagem principal do livro, o adolescente Holden Caufield, se tornou símbolo da geração de jovens do pós-guerra.

A obra foi um sucesso mundial, e vendeu mais de 60 milhões de cópias em todo o globo.

O anúncio da morte foi feito pelo filho do autor, a partir de um comunicado emitido pelo representante literário de Salinger, nesta quinta-feira.

Quatro décadas sem publicar

Jerome David Salinger completou 91 anos no último dia 1º. Ele estava sem publicar um trabalho havia mais de quatro décadas.

"Amo escrever", disse Salinger em 1974, em uma de suas raras entrevistas, ao jornal "The New York Times". "Mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer."

O último trabalho literário publicado assinado por ele foi "Hapworth 16, 1924", em junho de 1965.

O autor, filho de um judeu importador de queijos kosher e de uma escocesa-irlandesa que se converteu ao judaísmo, cresceu em um apartamento da Park Avenue, em Manhattan, estudou durante três anos na Academia Militar de Valley Forge e em 1939, pouco antes de ser enviado à guerra, estudou contos na Universidade de Columbia.

Durante a Segunda Guerra Mundial ele se alistou na infantaria, e esteve envolvido com a invasão da Normandia. Os companheiros de exército de Salinger o consideravam corajoso, um verdadeiro herói.


Reprodução
J.D. Salinger na capa da "Time" em setembro de 1961
J.D. Salinger na capa da "Time" em setembro de 1961

Em relação a outros escritores, Salinger classificou Ernest Hemingway (1899-1961), que conheceu em Paris, e John Steinbeck (1902-1968) como de segunda categoria, mas expressou sua admiração por Herman Melville (1819-1891).

Em 1945, Salinger casou-se com uma médica francesa chamada Sylvia, de quem se divorciou e, em 1955, casou-se com Claire Douglas, união que também terminou em divórcio em 1967, quando se acentuou a reclusão do escritor em seu mundo privado e seu interesse pelo budismo zen.

Salinger namorou durante algum tempo, na década de 1980, a atriz Elaine Joyce, e no final daquela década se casou com a enfermeira Colleen O'Neill, 45 anos mais jovem que o autor. Pouco se sabe sobre a vida conjugal do casal, pois Colleen adotou o código de silêncio de seu marido, e não concedia entrevistas.

Os primeiros contos de Salinger foram publicados em revistas como "Story", "Saturday Evening Post", "Esquire" e "The New Yorker" na década de 1940, e o primeiro romance "O Apanhador no Campo de Centeio" transformou-se imediatamente em sucesso e lhe consagrou aos olhos da crítica internacional.

Os outros livros dele editados no Brasil são as coleções de contos "Nove Estórias" e "Franny & Zooey" e dois pequenos romances reunidos em "Carpinteiros, Levantai Bem Alto a Cumeeira; Seymour - Uma Introdução".

Muitas das histórias reunidas nessas obras tem como personagens centrais a família Glass, cujos filhos foram crianças prodígios e os pais, artistas.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Oficina CRESCE - Prof. Bivar - 60 anos


E/D
Alque, Cris e o prof. Bivar



Oficina CRESCE de Teatro (SESC)
do Abraço Literário

EVENTO: comemoração dos 60 anos do prof. Bivar.

Dezembro/2009

Trova - Saco Plástico / Airton Soares

.
Se vai às compras ou a passeio,

saco de plástico evitar.
A terra, de saco cheio,
já deu o que tinha que dar.
AS

domingo, 13 de dezembro de 2009

Índios escritores resgatam sua história

.
Tradição é compartilhada com alunos nas escolas e registrada em livros

José Maria Mayrink

Os índios escritores estão recuperando a história dos povos indígenas que os não índios ignoram. Seus livros, numa coleção de narrativas para crianças e adultos que relembram as tradições das 250 nações hoje sobreviventes no Brasil, variam no estilo, mas perseguem todos o mesmo objetivo - restaurar na ficção de lendas, novelas e romances a sabedoria dos ancestrais. Pesquisas antropológicas e o registro de uma memória que vem sendo transmitida, de geração em geração, pela boca dos pajés, permitem resgatar a riqueza cultural de gente antes chamada de ignorante, selvagem, feia e preguiçosa.

Daniel Munduruku, ou Derpó, que em sua língua nativa significa Peixe Maluco, é um dos pioneiros desse esforço editorial. Ao lado de guerreiros como Marcos Terena, Kaká Werá, Aílton Krenak, Darlene Taukane, Eliane Potiguara e dezenas de outros autores que aparecem num catálogo literário organizado por entidades de defesa dos bens e direitos sociais dos índios, Daniel ajuda a espalhar a produção intelectual de seus parentes, pelo Brasil e no exterior.

UMA SAUDAÇÃO

A tradição e a cultura indígena também são compartilhadas com as crianças nas escolas. "Xibat?", pergunta o índio escritor-professor a uma turma de alunos da Escola Lourenço Castanho, no bairro do Ibirapuera, em São Paulo, na manhã de uma sexta-feira de novembro. Os meninos e meninas, de 8 a 10 anos, que no início do encontro tinham ouvido de Daniel uma saudação em língua indígena, logo traduzida para o português, não entenderam nada. Todos sorriam, esperando a tradução de mais essa palavra.

"Tudo bem? Tudo legal? Tudo joia? Tudo porreta?", traduziu o índio, despejando uma enxurrada de gírias para quebrar o gelo. Depois contou que, na aldeia, ninguém se cumprimenta com beijos e abraços, mas só com uma saudação simples como xibat, olhando nos olhos, porque, como dizem os ancestrais, "o olho é a única parte do corpo que não mente". Explicou que Munduruku quer dizer Formiga Guerreira ou Gigante, um nome que, com um significado desse, só pode dar orgulho a seu povo. A criançada prestou a maior atenção.

"Meu povo, que vive na floresta há séculos, entrou em contato com os não índios há uns 300 anos. Aprendeu a usar roupa quando lhe disseram que era pecado andar pelado, balançando os balangandãs. Aprendeu a comer alimentos, como o macarrão, que não faziam parte de sua tradição. Os índios comiam mandioca, anta, farinha, peixe. Os índios, que falavam sua língua tradicional, tiveram de aprender o português. Os povos indígenas, que falam 180 línguas nas diversas regiões do País, agora são bilíngues."

Não havia como não prestar atenção. O horário reservado para a palestra estourou, porque Daniel cativou os alunos. Fez provocações engraçadas, riu, gritou alto de assustar até os adultos, cantou, ensaiou passos de dança, pintou a cara com tinta de jenipapo e de urucum, pôs um cocar de chefe na cabeça e um colar de festa no pescoço. Assumiu a identidade da aldeia ao relembrar a cultura dos ancestrais, mas deixou claro que fazia concessões à modernidade. Para divulgar a história dos índios e defender seus direitos, tem um blog na internet e se comunica por e-mail e por telefone celular.

"O povo indígena é um povo humano, que tem raiva, alegria, amor e ciúme", disse Daniel, citando sentimentos que acompanham seus personagens. Ao descrever as aventuras de seus parentes - com namoros, casamentos, caçadas, guerras e alianças de paz - ele utiliza palavras atuais, como garoto, rapaz e moça. Tudo com poesia e figuras simbólicas, mas sem aquela linguagem tipo "virgem dos lábios de mel" com que José de Alencar se referia a Iracema.

Derpó Munduruku, que hoje se orgulha desse nome, mesmo atendendo pelo registro civil que o rebatizou como Daniel, confessa que já sentiu vergonha de suas origens, quando era discriminado por causa da imagem que o índio tinha. "Além de considerar que o índio era preguiçoso e feio, diziam que ele atrapalha o progresso, pois tem muita terra e não sabe o que fazer com ela."

Daniel queria ser bombeiro ou astronauta, não queria ser visto como um selvagem. "Agora, tenho consciência de minha identidade e gosto dela: sou um brasileiro-índio." E, quando ele lembrou que existem brasileiros brancos, negros, japoneses, italianos e cidadãos de muitas outras ascendências que nem por isso são menos brasileiros, todos entenderam.

"Xibat?", perguntou o índio. "Xibat", respondeu a criançada em coro.


Fonte: Jornal O Estação - 13/12/2009
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091213/not_imp481093,0.php

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Blog da Marina Menestrel

.
Amigos abraceiros,
Amigos abraçados,
Vez em quando aparece,
neste mundo tão cruel,
novidades envolventes,
poesia, pão e mel,
um punhado de palavras
às quais eu tiro o chapéu;
entre logo, meu amigo,
você nem paga aluguel,
dê um clique, acesse o blogue
da Marina Menestrel.
É aqui, ó:

AbraçoAÇO.
Carlos VaZconcelos

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Poesia - OLHANDO O MAR

Primeiro Lugar No Concurso Nacional de Poesia

Em Rio Claro São Paulo.

OLHANDO O MAR


SoniaNogueira

Olhado as ondas em igual tortura
O pensamento pousa embevecida
No sonho mudo de eterna mistura
Contemplação outrora indefinida

*

A visão fixa acompanha o bailado
Do líquido ondulado que flutua
Num vai e vem em hino copulado
De letra e canção sonata e lua

*

O sol declina no ocaso indiscreto
Na ânsia incontida de perenizar
Ao menos o fito da lua enamorada
Platônico amor da sina ao ocultar

*

Do sonho pretérito, acobertado
Distando o coração exilado mudo
Deserto de miragens sono e fado
Roçando o coração frágil facundo

*

Toda emoção envolta na penumbra
Dormita num suave pesadelo
Abrindo confissão em vão desaba
Lágrima e riso flutuam em duelo

*

O vento uiva na imensidão do ocaso
Na face, a brisa ativa sonho infantes
Sem validade vencida em curto prazo
De paixões que nunca foram amantes

*

À noite dormitando disfarçada
Murmura em oração qual romeiro
A voz no meu peito se amordaça
No tempo trágico infiel traiçoeiro

*

terça-feira, 17 de novembro de 2009

aBUNDância

Sobre: UMA BURCA PARA GEISY - Miguezim de Princesa

Lilian Ramos já mostrou

ao lado de um presidente

Juliana Paz também mostrou

e agradou muita gente!

Mas pobre é uma desgraça

nem o priquito tem graça

Será que é diferente? [ Dalinha Catunda ]

.
Num tem nada diferente

Só o que muda é o tamanho,

Mas o que agrada mesmo a gente

Digo aqui e num me acanho

É o rebolado do “ente”

Perfumoso após o banho [ Airton Soares ]

TEATRO EMPRESARIAL

airton.soares.as@gmail.com

UMA BURCA PARA GEISY
Miguezim de Princesa

I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"

III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

IV
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"

VI
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

VII
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

VIII
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

IX
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

X
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

|||... comentário...||| vida e morte... NICOTINA

Recebi e Agra

..................... de

.............................ço


Com as oiça ligada
E o faro fumaçano
Esta poeta prendada
Vai dançano e cantano
Afora pela estrada
Verso sagrado e profano. [ AS ]

A cordelista Ipueirense (Ceará) Dalinha Catunda, comenta minha poesia

vida e morte... NICOTINA

dalinhaac@gmail.com [www.cantinhodadalinha.blogspot.com]

No fumo não vejo graça
Meu estimado amigo,
O fumo é mesmo cruel
Leva todos pro buraco
Independente do papel.

No fumo não vejo graça
Apenas atrai desgraça
Que amarga como fel.
Fumante não sabe o que faz
Se sabe não quer saber.
E acaba levando fumo
Pois sua sina é morrer.

No fumo não vejo graça
Apenas atrai desgraça
Você está feio de Saber! [ Dalinha Catunda ]

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

vida e morte... NICOTINA


Por Airton Soares


Mesmo que você tenha

Um pulmão de Tarzan

E que pitar pra Jane é chique

Sem isso não tem elã

Prestenção e ciente fique

Fuja logo desse "fã"

que leva você a pique

Tal qual a Mara Manzan

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CORDEL - Ceará em Belo Horizonte

Poetas divulgam cultura do cordel

Clique para Ampliar

Josenir Lacerda e Edésio Batista são coautores do livro "Segredo", com contos, crônicas e cordéis
Foto: ANTÔNIO VICELMO

Diário do Nordeste - Regional - 12/11/2009

Crato. Os poetas cratenses Edésio Batista e Josenir Lacerda participaram da 7ª edição do Projeto Livro de Graça na Praça, realizado na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, como coautores do livro "SEGREDO", que reúne contos, crônicas e cordéis de 18 escritores e poetas de vários Estados do Brasil. Edésio escreveu o cordel "Uma História Curiosa", enquanto Josenir contou "O Segredo de Marina".

Além dos dois cordéis, o Crato se fez presente com o lançamento do cordel, em Braille, "Do selo lambido ao ponto com", de autoria do professor Ulisses Germano Leite Rolim em parceria com o idealizador do projeto "Livro na Praça", José Mauro da Costa. A obra foi patrocinada pelo Instituto Benjamin Constant para marcar a comemoração dos 200 anos do alfabeto Braille.

Este ano, o projeto promoveu quatro lançamentos: "Segredo", para o público adulto; "Descobri!", dirigido ao público infanto-juvenil; e os cordéis "Do Selo Lambido ao Ponto Com" e "Corpo de Bombeiros". A corporação prestigiou o acontecimento com a presença de sua banda de música. O evento é uma das principais atrações da agenda cultural da capital mineira.

Mais Informações:
Academia dos Cordelistas do Crato
Praça Cel. Filemon Teles, S/N
(88) 3523.3947
(88) 3523.4442

CUIDE BEM DO SEU JARDIM



Por Airton Soares

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Um livro pode ser nosso sem nos pertencer.
Só um livro lido nos pertence realmente.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = Eno Teodoro Wanke


Ao ler a frase acima [ Meditem o que eles disseram. - jP – LV 041109 ], incontinenti, lembrei-me desta: “QUANDO MAIS ALGUÉM CUIDA DE SEU JARDIM , MENOS ELE LHE PERTENCE.”

Só há sentimento de pertença se houver a prática do conhecer. Ter conhecimento é saber que a “coisa” meramente... existe. Conhecer é diferente: é saber porque essa “coisa” existe e extrair dela novas experiências de “jardinagem”.

Quanto mais a “empregada” [ tecnologia!] cuidar sozinha da nossa morada, maior será a distância de nós mesmos.

É verdade que os objetos, e as ferramentas que nos cercam são a extensão do nosso corpo e, como tal, impregnada de apego e simbologia, no entanto, não dê vida a essa extensão. Dê-lhe sentido!

Plantemos com sabedoria o grão do conhecimento.

Jardinemo-nos enquanto o sol brilha. A noite é longa!

sábado, 7 de novembro de 2009

Ramirez comenta

Ramirez Gurgel comenta crônica UM TIPO INESQUECÍVEL, de Vazconcelos

Caro Carlos,

A Literatura nos fornece emoções tão diversificadas quanto as digitais de nossa espécie. É inesgotável fonte de acesso às coisas simples e corriqueiras, e ao subterrâneo de nossa consciência. Georges Bataille diz que, “[...] sendo inorgânica, a literatura é irresponsável. Nada pesa sobre ela. Pode dizer tudo.”. Podemos, então, argumentar em favor de uma literatura engajada. Uma literatura que priorize a transformação positiva da sociedade.

Uma transformação que se oriente por algo semelhante à “transmutação de todos os valores”, de que tanto nos fala Nietzsche (apesar de ser um anti-revolucionário, me afino com suas palavras).

No entanto, mais importante que saber qual deva ser o caminho que a Literatura deve trilhar, é saber que ela é pode e deve trilhar todos os caminhos.

Ela pode ser livre ou engajada.

Ela pode tudo!

Pode falar de coisas etéreas, feito o fato de ser “[...] o universo paralelo do artista [...] muito mais vasto do que a própria realidade.”, e emocionar com palavras dóceis de carinho e respeito, como: “[...] você mora na minha estante, na minha parede e principalmente na minha memória e no meu coração.”. Parabéns pela sensibilidade!

Abraço,

Ramirez Gurgel"
- - - - -

Clique AQUI e leia a crônica UM TIPO INESQUECÍVEL (Homenagem ao escritor Fernando Câncio, de autoria de Carlos Roberto Vazconcelos. )

fiapos de CONVERSAS

Por Airton Soares

::: ANSELMO DA ARTE – 89 anos aqui.Anselmo Duarte / foto UOL

• `palma´ pra ele!
• chegada: 21/04/1920
• partida: 07/11/2009

Anselmo Duarte foi o único cineasta brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962, por "O PAGADOR DE PROMESSAS". Baseado no texto teatral de Dias Gomes.


::: CORDA NO PESCOÇO

Estrangeiros colocam a corda no pescoço brasileiro, e quem tem que agir finge não ver. “Cegos” não veem mesmo... Olhe esta manchete: Estrangeiros avançam no álcool brasileiro. Multinacionais adquirem grandes usinas do setor sucroenergético e já têm 20% da produção nacional. Quando abrirmos os olhos... [ Luiz Carlos Prates- Diário Catarinense - 051109 ]

::: ESPERTEZA

“E não adianta falar mal dos políticos se não fazemos a nossa parte. O recado de hoje vai para os taxistas, não todos, claro, mas os que arredondam o valor da corrida a maior, ficando com o troco que por direito é do cliente. Afinal, não é certo o passageiro ter que discutir para ter seu troco correto.”

notAS: faço assim: quando percebo que o valor da corrida vai dar “quebrado”, desço uma ou duas quadras antes. Evito aborrecimento e... economizo!
.
.

Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados para não usar aliança"
Zeca pagodinho [ Hoje no DN, coluna É do Neno Cavalcante ]

::: CAFÉ e FILOSOFIA

Gratuito! Vagas limitadas! ::: Todas as quintas de novembro, debates e leitura crítica da realidade sob a luz da filosofia com professores e filósofos especialistas.

notAS:
• Aqui você tem a oportunidade de debater a filosofia prática do dia-a-dia;

• Os professores estão orientados para nos repassar conceitos filosóficos sem muito teor acadêmico;

• Recomendo!

12/11
Próximo tema: "O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO - O belo e o medo em
Shopenhauer"

Com apresentação da Profa. Amanada Melo (Filósofa e Mestranda em
Filosofia - UECE).

No Auditório SESC Centro -1º ANDAR
Rua 24 de maio, 692 – Centro
Horário: 18h às 21h
Informações: 3455 2114 – 3455 2115

FORTALEZA- CEARÁ

- - - -
AS

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tomate e o LICOPENO



TOMATES COZIDOS SÃO MAIS SAUDÁVEIS

Por Airton Soares

Se você ainda num sabe
Pois fique logo sabeno
Que o tomate bem cozido
Contém muito mais licopeno.

• O nível de licopeno aumenta em 35% depois que o tomate é cozido;
• A substância é conhecida por sua função antioxidante;
• Protege o corpo contra os danos causados pelos radicais livres;
• Age [a substância ] eficazmente na prevenção do câncer.

Já que o recado foi dado
Deixo aqui meu arremate
Use e abuse caro amigo
Das sopinhas de tomate.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PRÊMIO JABUTI 2009

Moacyr Scliar, ganha o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de 2009
UOL

Escritor gaúcho Moacyr Scliar recebe o troféu do Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Ficção 2009, por "Manual da Paixão Solitária" (editora Cia das Letras)

"Manual da Paixão Solitária" (Cia. das Letras), de Moacyr Scliar, foi escolhido o Livro do Ano de Ficção no Prêmio Jabuti de 2009. O anúncio foi feito na noite desta quarta-feira (4), durante cerimônia na Sala São Paulo. A obra rendeu ao escritor também o prêmio na categoria romance.

O escritor gaúcho já havia recebido o Jabuti na categoria contos, com "O Olho Enigmático", em 1988, e na categoria melhor romance em 1993, por "Sonhos Tropicais".

A categoria Livro do Ano Não-Ficção da 51ª edição da premiação ficou com "Monteiro Lobato: Livro a Livro" (Editora Unesp/Imprensa Oficial), de Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini.

O concurso distribui prêmios de R$ 3 mil para os primeiros lugares de cada categoria, além de R$ 6 mil para o primeiro lugar da categoria "Tradução de obra literária Francês-Português".

Os prêmios de Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção pagam R$ 30 mil aos seus vencedores.

Durante o evento promovido pela Câmara Brasileira do Livro, foram entregues também os prêmios aos escolhidos nas outras 21 categorias do concurso, que elegeram "Canalha! - Crônicas", de Fabrício Carpinajar, o melhor livro de contos e crônicas, "Dois em Um", Alice Ruiz S., o melhor livro de poesia, "A Invenção do Mundo Pelo Deus-Curumim", de Braulio Tavares na categoria livro infantil, entre outros. A edição de 2009 do Jabuti recebeu a inscrição de 2.573 obras.

Veja a seguir a lista completa dos vencedores:


ROMANCE

1º lugar -"Manual da Paixão Solitária", Moacyr Scliar (Companhia das Letras)
2º lugar -"Orfãos do Eldorado", Milton Hatoum (Companhia das Letras)
3º lugar -"Cordilheira", Daniel Galera (Companhia das Letras)

CONTOS E CRÔNICAS

1º lugar -"Canalha! - crônicas", Fabricio Carpinejar (Editora Bertrand Brasil)
2º lugar -"Ostra feliz não faz pérola", Rubem Alves (Editora Planeta do Brasil)
3º lugar -"Os comes e bebes nos velórios das gerais e outras histórias", Déa Rodrigues da Cunha Rocha (Auana Editora)

REPORTAGEM

1º lugar -"O Livro Amarelo do Terminal", Vanessa Bárbara (Cosac Naify)
2º lugar -"O Sequestro dos Uruguaios - uma Reportagem dos Tempos da Ditadura", Luiz Cláudio Cunha (L&P Editores)
3º lugar -"1968 - o que Fizemos de Nós", Zuenir Ventura (Editora Planeta do Brasil)

POESIA

1º lugar -"Dois em um", Alice Ruiz S. (Editora Iluminuras)
2º lugar -"Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa", Instituto Moreira Salles (Instituto Moreira Salles)
3º lugar -"Cinemateca", Eucanaã Ferraz (Companhia das Letras)
3ºlugar - "Outros barulhos", Reynaldo Bessa (edição do autor)

INFANTIL

1º lugar - "A Invenção do Mundo Pelo Deus-Curumim", Braulio Tavares (Editora 34)
2º lugar -"No Risco do Caracol", Maria Valéria Rezende e Marlette Menezes (Autêntica Editora)
3º lugar - "Era Outra Vez um Gato Xadrez", Leticia Wierzchowski (Editora Record)

JUVENIL

1º lugar -"O fazedor de velhos", Rodrigo Lacerda (Cosac Naify)
2º lugar -"Cidade dos deitados", Heloisa Prieto (Cosac Naify)
3º lugar -"A distância das coisas", Flávio Carneiro (Edições SM)

ARQUITETURA E URBANISMO, FOTOGRAFIA, COMUNICAÇÃO E ARTES

1º lugar - "Coleção Princesa Isabel - Fotografia do Século XIX", Bia e Pedro Corrêa Lago (Capivara Editora)
2º lugar - "Árvores Notáveis - 200 Anos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro" (livro e guia de bolsa), Andréa Jakobsson Estúdio Editorial (Andréa Jakobsson Estúdio Editorial)
3º lugar - "Tarsila do Amaral", Lygia Eluf (Imprensa Oficial do Estado)

TEORIA/CRÍTICA LITERÁRIA

1º lugar -"Monteiro Lobato: Livro a Livro", Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini (Editora Unesp / Imprensa Oficial)
2º lugar -"Pensamento e 'Lirismo Puro' na Poesia de Cecília Meireles", Leila V. B. Gouvêa (Editora Universidade de São Paulo)
3º lugar -"Literatura da Urgência Lima Barreto no Domínio da Loucura", Luciana Hidalgo (Annablume Editora)

PROJETO GRÁFICO

1º lugar -"Fazendas Mineiras", Marcelo Drummond & Marconi Drummond (Cemig)
2º lugar -"A História do Brazil de Frei Vicente de Salvador", Maria Lêda Oliveira (Versal Editores)
3º lugar -"Isay Weinfeld", Roberto Cipolla (Bei Editora)

ILUSTRAÇÃO DE LIVRO INFANTIL OU JUVENIL

1º lugar -"O Matador", Odilon Moraes (Editora Leitura) - BH
2º lugar -"De Passagem", Marcelo Cipis (Companhia das Letras)
3º lugar - "Alfabeto de Histórias", Gilles Eduar (Editora Ática)

CIÊNCIAS EXATAS, TECNOLOGIA E INFORMÁTICA

1º lugar - "Introdução à Quimica da Atmosfera - Ciência, Vida e Sobrevivência", Ervim Lenzi e Luzia Otilia Bortotti Favero (LTC - Livros Técnicos e Científicos Editora)
2º lugar - "Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial", Armando Albertazzi G. Jr. e André R. de Souza (Editora Manole)
3º lugar - "Mapa do Jogo", Lucia Santaella e Mirna Feitoza (Cengage Learning Edições)

EDUCAÇÃO, PSICOLOGIA E PSICANÁLISE

1º lugar -"A Voz e o Tempo", Roberto Gambini (Ateliê Editorial)
2º lugar -"Religiosidade e Psicoterapia", Claudia Bruscagin, Adriana Sávio, Fátima Fontes e Denise Mendes Gomes (Editora Roca)
3º lugar - "Educação à distância: o Estado da Arte", Fredric Michael Litto (Pearson Education do Brasil)


DIDÁTICO E PARADIDÁTICO

1º lugar - "História e Cultura Africana e Afro-Brasileira", Nei Lopes (Barsa Planeta Internacional)
2º lugar - "Meu primeiro álbum de piano solo", Dulce Auriemo (D.A. Produções Artísticas)
2º lugar - "Coleção cidade educadora - Diário de bordo do aluno 1 - Volume Amarelo", Áureo Gomes Monteiro Júnior, Célia Cris Silva e Júlia Scandiuci Figueiredo (Aymará Edições e Tecnologia)
3º lugar - "Literatura Infantil Brasileira: um Guia para Professores e Promotores de Leitura", Vera Maria Tietzmann Silva (Cânone Editorial)

ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS

1º lugar - "Valores Humanos & Gestão. Novas Perspectivas", Maria Luisa Mendes Teixeira (organizadora) (Editora Senac São Paulo)
2º lugar -"Estratégia e Competitividade Empresarial - Inovação e Criação de Valor", Luiz Carlos Di Serio e Marcos Augusto de Vasconcelos (Saraiva)
3º lugar - "Meio Ambiente e Crescimento Econômico: Tensões Estruturais", Gilberto Dupas (Editora Unesp)

DIREITO

1º lugar - "Introdução ao Pensamento Jurídico e à Teoria Geral do Direito Privado", Rosa Maria de Andrade Nery (Editora Revista dos Tribunais)
2º lugar -"Execução", José Miguel Garcia Medina (Editora Revista dos Tribunais)
3º lugar -"Código de Processo Civil - Comentado Artigo por Artigo", Daniel Mitidiero e Luiz Guilherme Marinoni (Editora Revista dos Tribunais)
3ºlugar - "Atual Panorama da Constituição Federal", Carlos Marcelo Gouveia (Saraiva)

BIOGRAFIA

1º lugar - "O Sol do Brasil", Lilia Moritz Companhia das Letras (Companhia das Letras)
2º lugar -"José Olympio, o Editor e sua Casa", José Mario Pereira (GMT Editores)
3º lugar -"O Santo Sujo: a Vida de Jayme Ovalle", Humberto Werneck (Cosac Naify)

CAPA

1º lugar - "Moby Dick", Luciana Facchini (Cosac Naify)
2º lugar -"Jovem Stálin", João Baptista da Costa Aguiar (Companhia das Letras)
3º lugar -"Introdução à filosofia", Rex Design (Editora WMF Martins Fontes)


CIÊNCIAS HUMANAS

1º lugar - "História do Brasil - Uma Interpretação", Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota (Editora Senac São Paulo)
2º lugar - "Veneno Remédio", José Miguel Wisnik (Companhia das Letras)
3º lugar - "A Aparição do Demônio na Fábrica", José de Souza Martins (Editora 34)

CIÊNCIAS NATURAIS E CIÊNCIAS DA SAÚDE

1º lugar - "Fundamentos de Dermatologia", Marcia Ramos-e-Silva e Maria Cristina Ribeiro de Castro (Editora Atheneu)
2º lugar -"Oftalmogeriatria", Marcela Cypel e Rubens Belfort Jr. (Editora Roca)
3º lugar - "Guia de Propágulos & Plântulas da Amazônia", José Luís Campana Camargo et al (Inpa)

TRADUÇÃO DE OBRA LITERÁRIA FRANCÊS-PORTUGUÊS

1º lugar -"O Conde de Monte Cristo", André Telles e Rodrigo Lacerda (Jorge Zahar Editor)
2º lugar - "Topografia Ideal para uma Agressão Caracterizada", Flávia Nascimento (Editora Estação Liberdade)
3º lugar - "A Elegância do Ouriço", Rosa Freire D'aguiar (Companhia das Letras)

TRADUÇÃO

1º lugar -"A Morte de Empédocles / Friedrich Hölderlin", Marise Moassaba Curioni (Iluminuras).
2º lugar -"Satíricon", Cláudio Aquati (Cosac Naify).
3º lugar -"Os Irmãos Karamázov - 2 Volumes", Paulo Bezerra (Editora 34)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

UM TIPO INESQUECÍVEL

(Homenagem ao escritor Fernando Câncio)

por Carlos Roberto VaZconcelos

Em nossas vidinhas tão efêmeras, conhecemos muitas pessoas. De todas as marcas, feitios e naturezas.

Lembro que as velhas e boas revistas Seleções traziam uma interessante coluna intitulada Meu Tipo Inesquecível. Eram testemunhos de vida, retratos de homens e mulheres que não passaram despercebidos por este mundo, que registraram suas vidas na vida do outro, que se inscreveram para sempre no livro da memória de alguém.

Eu também conheci um tipo inesquecível. Ele poderia tranqüilamente figurar naquela seção da revista americana. Eu iniciava o curso de Letras, na Universidade Estadual do Ceará, quando tomei conhecimento da existência de um grupo de escritores chamado Ceia Literária. Passei a freqüentar aquela agremiação com assiduidade. Particularmente, um dos seus membros muito me chamou a atenção, pela originalidade, espirituosidade e carisma: Fernando Câncio de Araújo, o velho mais jovial que conheci. Ainda hoje, do auge dos seus oitenta e sete anos, se o assunto é idade, responde de pronto:

O que importam meus cabelos brancos, se minha alma ainda faz pipi na cama? Imediatamente lembro outro poeta querido, Mário Quintana:

Embora idade e senso eu aparente,

Não vos iluda o velho que aqui vai:

Eu quero meus brinquedos novamente!

Sou um pobre menino... acreditai...

Que envelheceu um dia, de repente!

Antonio Carlos Villaça, no seu livro Os Saltimbancos da Porciúncula, descreve Quintana como um velhote buliçoso, que não tinha pose, nenhuma afetação. Era todo leveza, espontaneidade, fluidez, comunicabilidade modesta. Fernando Câncio também é assim.

Certa vez, saíamos de uma reunião da Ceia Literária, num edifício da rua Liberato Barroso. O elevador, lotado, o Fernando, gordo. Todos esquivos para não pisar um pé alheio e empenhados em manter a devida distância do patrimônio do outro. O poeta observou que alguém entrara por último e quase espremido pela porta. Lá embaixo, quando a bendita porta se abriu e acabou-se o sufoco, Fernando não se conteve e desferiu para riso geral: O elevador é um dos poucos lugares onde se faz valer aquela lei de Deus: Os últimos serão os primeiros.

Fernando Cursou as “primeiras e únicas letras” (como faz questão de esclarecer), no Grupo Escolar da Fênix Caixeral. Na verdade, cursou até o 4° ano primário, mas considera-se autodidata. Aprendeu a ler e nunca mais quis se separar dos livros. Leu os grandes clássicos cearenses, brasileiros e estrangeiros. Escreveu inúmeros livros, alguns com títulos intencionalmente esdrúxulos e quilométricos (que nada têm a ver com o conteúdo), apenas para roubar a atenção: Os Sapos do Castelo de Montserrat ou As Aventuras de um Lagostim Daltônico.

Fernando foi durante anos o gerente do Cine Art. Sucedeu-se por dezoito anos no cargo de presidente da UBT (União Brasileira de Trovadores) e se dependesse dos sócios permaneceria por mais dezoito. Marcou história no comando dessa agremiação. De todos os gêneros, o que mais lhe dá satisfação é a Trova, sendo ele um dos melhores destas terras, na maravilhosa arte dos quatro versos.

Querem ver?

Saudades, marcas doridas

De um momento que passou

Bandeirinhas coloridas

Que o tempo nunca rasgou

ou

Era um poeta de mão cheia,

Hippie, cabelos revoltos...

Só poetava na cadeia

Detestava versos soltos

Fernando Câncio é também um exímio recitador. Uma vez no palco, contagia a plateia com o carisma e a desenvoltura de um mestre. Certo dia, comprovando a tese de que a criatura pode tornar-se independente do criador, criou Hortência, a amiguinha de infância transformada na mulher sonhada... Boquinha de forno...! Forno! Jacarandá! E Hortência virava lágrimas... de uma saudade perdida? de uma lembrança imaginada? É que o universo paralelo do artista é muito mais vasto do que a própria realidade.

Confessou-me um dia que nunca mais recitaria Hortência. A personagem havia crescido dentro dele, estava se exteriorizando, tomando conta de seu coração, fazendo-o chorar em público. Hortência passou a existir, definitivamente. Não mais nas páginas amareladas do livro, mas na lucidez de sua memória, como ser concreto, como parte de seu passado, mulher de carne e osso.

Enfim, Fernando Câncio é uma dessas raras pessoas a quem temos orgulho de conhecer. Sua grandeza está na simplicidade. Por isso, para falar sobre ele temos que usar palavras simples, despojadas de vaidade, mas carregadas de valor.

Algumas vezes fui visitá-lo, na rua Floriano Peixoto, 1964. Usufruí momentos de gratificante conversa. Dona Zilnah, sua falecida esposa, de saudosa memória, também sempre muito solícita. Uma tarde, saí rumo àquela rua. Não para visitar o Fernando, que o horário não era propício, mas apenas para levar-lhe uns doces. A casa estava silenciosa e tristonha. Bati. A secretária veio atender pelo muro do jardim. Contou-me que dona Zilnah já não estava mais entre nós. Senti o golpe. Desagradável surpresa. Eu estava a caminho de um sebo, localizado na Aldeota. Dentro do carro, larguei-me a refletir sobre o mistério doloroso da morte e os sentimentos a que ela nos remete. Mais tarde, garimpando livros, saltou-me aos olhos o Meu Nome é Saudade, de Fernando Câncio, que é dedicado justamente à Dona Zilnah. Quanta coincidência! Não poderia deixar de adquiri-lo, em sua 1ª edição, de 1979. Este mesmo que está repousando aqui ao meu lado, com autógrafo do autor.

Fernando Câncio também é pintor. Na parede do meu apartamento, um óleo sobre tela, feito especialmente para a capa da coletânea Ceia Maior, em comemoração aos dezoito anos do grupo Ceia Literária. Fernando Câncio, você mora na minha estante, na minha parede e principalmente na minha memória e no meu coração.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DNA - Desfiando Notas de Aula


E EU LÁ SABIA!
semântica

Por Airton Soares "AS"

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"Sem fiscalização,
cresce gasto do
palnalto com cartão
- - - - - - - - - - - - - - - - Entre janeiro e setembro de 2009, os gastos sigilosos do Planalto com cartões de crédito corporativos somaram R$ 5,3 milhões. [...] DEVE-SE A INFORMAÇÃO aos repórteres Edson Luiz e Izabelle Torres." [...] Blog do Josias, Folha, 271009.
.
.

Espere! Quer dizer que devo uma informação e que tenho de pagar esta informação? Neste caso estou obrigado a...?

Não é bem assim: Neste contexto o verbo dever tem o sentido de estar em agradecimento. Agradecemos – a essa informação – aos repórteres.... ver a acepção nº 4 do dicionário Aurélio Eletrônico.”Estar obrigado; estar em agradecimento: Deve todo o seu saber ao mestre.”

notAS: a dívida existe, mas não se trata de uma dívida monetária.
- - - - -

AS - Aprendizagem Significativa

domingo, 25 de outubro de 2009

no meu TEMPO...

Quando fazemos referência ao nosso passado, temos a péssima mania de dizer: NO MEU TEMPO... Isso é terrível! O cérebro é burro, acredita em tudo que se diz.

Mudemos o discurso. Deixemos que o nosso espírito – atemporal e livremente – fale sobre o seu tempo, no tempo que ele quiser.

Curta o passado, sonhe futuros, mas tudo AQUI-E-AGORA!
Quando dizemos “NO MEU TEMPO” estamos dizendo, nas entrelinhas, que este tempo/espaço “já era!” E não é bem assim... Não é mesmo!


Viva..Sonhe!
Don't Let It Die


. . . . . . . . . . . . . .
PAI – Palestrante, Ator, Instrutor…”AS”
http://airton.soares.zip.net

sábado, 24 de outubro de 2009

Vírus comportamental

“SPSI”- Vírus! Delete! ®

Por Airton Soares

• Fulano tá sumido... Nunca mais deu as caras! Já sei! Só pode ser isso!

• “Na certa”, “com certeza”, “só pode ser isso” e tantas outras expressões deste quilate, sem que as percebamos no dia-a-dia, nos conduzem à posição de falantes “donos da verdade”.

• Julgamos a tudo e a todos baseado em pistas... inferências. Somos craques no G eneralizar, O mitir, D istorcer [ `GOD´= O deus nos acuda da comunicação] e colorir fatos, ocorrências nem sempre ocorridas, causando enormes e irreparáveis buracos na camada `ozonosférica´ relacional.

• Maldade da raça? Não sei. Talvez Freud e/ou o Papa expliquem, mas uma coisa é certa: PODE SER ISSO! E acredito que tem muito a ver com a nossa história de vida, ambiência cultural, valores, etc. Enfim... nosso jeitão de olhar e estar no mundo.

• Por isso, deletemos o “SPSI” das nossas relações afetivas e profissionais; instalemos já – em nosso juízo - com a opção de atualização automática, o anti-vírus “PSI” = PODE SER ISSO e vivamos melhor.

• A vida é curta. Aproveitemo-la!

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PAI – Poeta-Ator-Instrutor...”AS”
Ipu - Ceará [1952]... Fortaleza ou...[só Ele sabe!]...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

TEATRO: grupo CRESCE, do Abraço Literário [ SESC ]


Da esquerda para direita
Sentados: Eudismar Mendes, Roberta e Bete
Em pé: Eurico Bivar, Lúcia Medeiros [ coordenadora do ABRAÇO LITERÁRIO ], Aglaís, Penélope e Airton Soares

Peça: O Alumbrado Casamento de CESARINA
Grupo: CRESCE, do Abraço Literário
Direção: Professor Eurico Bivar

TEATRO: grupo CRESCE



Da esquerda para direita:
Roberta, Bete, Eudismar Mendes, Airton Saoares, Aglaís e Penélope

Peça: O Alumbrado Casamento de CESARINA
Grupo: CRESCE, do Abraço Literário
Direção: Professor Eurico Bivar

Airton Soares [ no papel de vendedor de milho]


Peça: O Alumbrado Casamento de CESARINA
Grupo: CRESCE, do Abraço Literário
Direção: Professor Eurico Bivar

Bazar das LETRAS - DILMAR MIRANDA


BAZAR DAS LETRAS

uma ação do Abraço Literário

DILMAR MIRANDA

Bate-Papo com o autor e lançamento do livro

NÓS E A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Mediador: Escritor Carlos Vazconcelos

Ontem, 22 de outubro - 19h

Teatro SESC Emiliano de Queiroz [galeria]

Av. Duque de Caxias, 1701

Bazar das LETRAS - DILMAR MIRANDA

Bazar das LETRAS - DILMAR MIRANDA


Bazar das LETRAS - DILMAR MIRANDA


Bazar das LETRAS - DILMAR MIRANDA


Dilmar Miranda {microfone] e o mediador Carlos Vazconcelos

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ano 10 - nº 470 - 19/10/2009






GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA!

Na hora de redigir, copiar ou imitar um texto, muitas pessoas, involuntariamente, transpõem para a escrita os hábitos da oralidade.

Não custa lembrar que a escrita, justamente por ser artificial, é sempre exigente e requer um continuado espírito de polícia. É comum que mesmo as pessoas mais despreocupadas estejam atentas, quando leem ou escrevem, ao uso social da norma culta.

Bem sabem disso os bandidos que enviam spams com links ou sites suspeitos imitando uma linguagem institucional. Mas eles se traem pela própria escrita: é o gato escondido com rabo de fora! Polícia neles!

















terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ronaldo Correia de Brito

Blogger Comentário de Carlos Vasconcelos

Estivemos (eu a Inês e o Silas) no lançamento do livro Galiléia, do Ronaldo Correia de Brito, no Centro Cultural BNB. Ele merece o prêmio. Sua literatura está entre o que há de melhor no momento. Inclusive, não deixem de ler seu livro de contos intitulado Faca.
Grande abraço.
Carlos Vazconcelos

8 de Agosto de 2009 03:32

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

INÊS RAMALHO

Nasceu em Quixadá-CE.

É alucinada por leituras.

Já leu cerca de 900 livros.

No mês de maio de 2009 foi agraciada com o convite do professor e escritor Carlos Roberto Vazconcelos para conhecer o grupo Abraço Literário, no SESC.

Emocionada diz: "Não encontro palavras para descrever meu encantamento. São pessoas cultas, de sensibilidade e humildade sem igual.

Parabéns a todos que compõem o grupo.

Já me sinto uma delas (tamanha ousadia a minha). É que fico orgulhosa em participar desse abraço.

Agradeço também à Eudismar Mendes, outra pessoa responsável pelo meu ingresso no Abraço Literário."

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

LITERATURA CEARENSE - Ronaldo das LETRAS

Ronaldo das letras fatura R$ 200 mil

Ronaldo Correia de Brito brinca com o xará da bola ao ganhar Prêmio São Paulo

Ubiratan Brasil - ESTADÃO

"Finalmente, um Ronaldo conseguiu ganhar dinheiro no Brasil sem precisar jogar futebol", ironizava o escritor cearense Ronaldo Correia de Brito, na noite de segunda-feira, com um troféu em uma das mãos e um polpudo cheque na outra. Momentos antes, ele foi anunciado como autor do melhor livro do ano passado, Galiléia (Alfaguara), tornando-se o principal vencedor do 2º Prêmio São Paulo de Literatura. Trata-se do melhor incentivo das letras nacionais, pagando R$ 200 mil como prêmio. Na mesma cerimônia, realizada no Museu da Língua Portuguesa, o gaúcho Altair Martins foi eleito o autor estreante de 2008, com o romance A Parede no Escuro (Record), faturando também um troféu e a mesma quantia.

Com uma coloração mais política que a premiação do ano passado - desta vez, o secretário de Estado da Cultura, João Sayad, não era o único membro do governo presente, pois ali também estavam o governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab -, o evento ganhou mais ares de mistério com a decisão de se anunciar previamente dez finalistas em cada categoria e não cinco, como no ano passado. "A nossa intenção é tornar o prêmio cada vez mais escandaloso", disse João Sayad, antes do anúncio dos ganhadores, provocando uma certa surpresa na plateia. "Quando digo ?escandaloso?, é no sentido de chamar atenção para os escritores e também para incentivar a leitura."

O prêmio, de fato, cresceu em apenas um ano - dessa vez, foram 217 romances inscritos contra 146 em 2008. Também cresceu o número de editoras envolvidas, de 55 para 75. "É claro que o valor oferecido aumenta o interesse", comentou Correia de Brito que, em um primeiro momento, não sabia ainda como utilizar os R$ 200 mil. "Vou gastar em sushi", brincou. "Mas não importa apenas a quantia em si, mas a repercussão que ela provoca: por causa dela, mais autores vão se sentir motivados a escrever e mais editoras tendem a publicar. Finalmente, o vencedor conquista a chance de se dedicar um pouco mais à literatura."

Realmente, foi o que aconteceu com o catarinense Cristóvão Tezza que, no ano passado, graças a O Filho Eterno (Record), ganhou os principais prêmios literários do País, totalizando R$ 330 mil, incluídos os R$ 200 mil do São Paulo de Literatura. "Com isso, nós nos aproximamos dos escritores profissionais dos países mais ricos", completou Correia de Brito.

O valor também foi comentado por Altair Martins, de 34 anos, que, depois de várias passagens pelo conto, chegou ao primeiro romance com A Parede no Escuro. "Espero, além de quitar a minha casa, poder diminuir minha carga horária como professor universitário", disse ele, que dá aulas de manhã à noite, na Federal do Rio Grande do Sul. A permanência de Martins no ambiente universitário, porém, não deverá diminuir.

Pois foi durante a preparação de sua tese de mestrado que ele escreveu A Parede no Escuro. "Eu comecei a rascunhar o romance mas não estava satisfeito, quando decidi continuar com a sua escrita ao mesmo tempo em que estudava o esfarelamento do narrador do romance contemporâneo", lembrou Martins, que precisou de 7 anos para dar o ponto final. A experiência foi tão produtiva que Martins pretende repetir a dose e preparar o próximo livro, agora de contos, ao mesmo tempo que faz pesquisa acadêmica.

Martins e Correia de Brito abraçaram-se efusivamente após o nome de cada um ser anunciado vencedor, derrubando concorrentes de grande porte como José Saramago, Milton Hatoum, João Gilberto Noll, Moacyr Scliar e Silviano Santiago. "Antes da cerimônia, fizemos uma brincadeira que o vencedor pagaria o jantar para o outro", comentou Correia de Brito. "Agora, cada um pode cuidar de si."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Neto Alves - ABRACISTA


POR CAUSA DA DISTÂNCIA INVOLUNTÁRIA DO ABRAÇO

Por Neto Alves


O que mais motivou meu retorno à capital – além de estudar –, e a consequente saída dolorosa do interior do Ceará, paixão da minha vida, foi a solidão, essa estranha companheira, que teima em abraçar-nos muitas vezes durante os dias de nossa existência sobre a terra, ela (a solidão) que temendo ficar sozinha nos procura a todo instante e se encontra não quer mais largar.

Sentia falta de um abraço, de braços que me envolvessem e mãos que me acariciassem. Minha família, com certeza, preencheria esta lacuna. O amor dos seus, embora podendo machucar, é certeza de presença, mesmo que silenciosa. E foi o que aconteceu.

Aconteceu também que os dias passaram-se e esqueci-me disso. Estranha é a memória que, seleta e discreta, apaga a gratidão que deveria ser sentida depois de uma transição como essa.

Porém, um abraço que eu não esperava me surpreendeu: um abraço diferente, o das palavras, dos textos, das emoções dos poetas, dos contos (de fadas?), o abraço do Mário, do Drummond, da Cecília, da Adélia e da Raquel, o abraço do verso e da prosa, um abraço literário. Agora já não me sentia tão só, porque até a velha irmã, a teimosa solidão, ela mesma me abraçava, não como antes, não como dor, mas como versos, como arte, como letra...

O Abraço* deu-me vida novamente, deponho! Despertou em mim sentimentos, desejos e emoções que antes dormiam, agradeço!
Mas agora estou aqui, longe do Abraço, órfão novamente. Sim, sinto-me órfão dos sonetos, dos contos e das crônicas. A (dor) (da) solidão do convívio literário me dói novamente.

* O abraço a que me refiro trata-se do Abraço Literário, grupo de discussão literária do Sesc - Fortaleza. Reuniões às terças-feiras na biblioteca infantil do Sesc, situádo à rua Clarindo de Queiroz, nº 1740 - Centro de Fortaleza - CE. Maiores informações: 0800 275 5250, falar com Lucinha.

Sonia Nogueira - ABRACISTA


Blogger sogueira disse...

Duas Taças de Vinho
Estavam sós sobre a mesa, mudas
Na toalha vermelha desenhada
Um ramo pintado de galho arruda
Dois olhares fixados na permuta

Solitárias mas vibrantes cristalinas
Um chamado para bocas sedentas
Numa o vago sorriso de cor bonina
Noutro o sorriso de sabor de menta

A noite não estacionou seguiu
Outras taças uniam-se suaves
O círculo fechando o som surgiu

Os pares valsando sob a magia
Do tempo que não espera final
De duas taças solitárias em abulia

Sonia Nogueira

8 de Julho de 2009 12:03

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Bazar das Letras -25 de junho de 2009

ROMARIA DE VERSOS
Francisca Pereira dos Santos (FANKA)

Teatro do SESC Emiliano Queiroz - 19h

25 de junho de 2009

Mediador: Carlos Roberto Vazconcelos



sábado, 13 de junho de 2009

Falência da Literatura Brasileira

O ESTADO D ESÃO PAULO - Sábado, 13 de Junho de 2009

Hora de ouvir o mestre

P. Quartim de Moraes

No dia 1º de julho abre-se a 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), importante evento que desde 2003 tem ajudado a oxigenar a discussão sobre literatura no Brasil. Talvez exatamente por se tratar de uma "festa", a programação da Flip tem-se concentrado em temas estritamente literários, geralmente relacionados às obras dos autores convidados, passando ao largo de questões políticas do mercado editorial. Mas, até porque o incentivo à criação literária é um dos objetivos expressos desse conceituado encontro, talvez fosse oportuno pensar em incluir em programas futuros a discussão de um tema que parece tão relevante quanto urgente, embora nada festivo: o estado pré-falimentar da literatura brasileira.

Alguns poucos editores genuinamente comprometidos com a valorização da literatura nacional se queixam de que muitos dos nossos novos e talentosos escritores mais atrapalham do que ajudam a produção literária quando se preocupam mais em criar estilos e gêneros do que em contar bem boas histórias.

Por outro lado, a tendência à formação de verdadeiras "panelinhas" no entrelaçamento de ambientes acadêmicos, literários e da mídia favorece uma clara elitização dos cânones e a exclusão de "não eleitos". Isso é fatal para a necessária revitalização permanente da produção literária.

Mas nem aos escritores "problemáticos" nem aos grupos fechados em torno de seus próprios interesses se pode atribuir a responsabilidade maior pelas perspectivas sombrias que pairam sobre a literatura brasileira, condenada a morrer de estiolamento, de morte matada. Essa glória pertence aos fundamentalistas do mercado que dominam o mundo do livro.

O negócio do livro no Brasil orienta-se hoje pela conclusão de um silogismo: o que não vende não se publica, literatura brasileira não vende, logo, literatura brasileira não se publica. Há que ressalvar, obviamente, as exceções a autores consagrados, assim mesmo em termos muito relativos. Dificilmente uma grande editora investe em obra de escritor brasileiro uma fração daquilo que não hesita em pagar, como adiantamento de direitos autorais, a qualquer cara nova estrangeira que desponte em listas de best-sellers no Primeiro Mundo.

A premissa de que literatura brasileira vende muito pouco, para justificar o desprezo que, de modo geral, o big business editorial tupiniquim tem por ela, é certamente discutível. Mas temos de nos render à evidência de que essa premissa tem respaldo nos fatos, na prática do mercado. E isso seria suficiente para justificar o diagnóstico aparentemente precipitado da condição pré-falimentar da produção literária brasileira. Parece sensato concluir que o que não vende não se publica...

Mas, só para argumentar, podemos inverter a equação: o que não se publica não vende mesmo.

E aprofundando: por que, afinal, literatura brasileira não vende?

A experiência profissional me habituou a ouvir, de livreiros e até mesmo de editores, a explicação, bem simplesinha, de que o desempenho do mercado demonstra que o leitor de livros brasileiro não tem grande apreço por conteúdos ficcionais nacionais; não se interessa, enfim, por histórias brasileiras. E seria apenas por essa razão que, na comparação com a nacional, a ficção estrangeira predomina nas listas de livros mais vendidos e - causa ou efeito? - nos catálogos editoriais e nas livrarias.

Se a programação das emissoras de televisão brasileiras seguisse o mesmo "critério", o chamado horário nobre estaria hoje tomado por séries do tipo Lost, 24 Hours, Sex and the City and so on. Não é o que ocorre. A teledramaturgia brasileira, fundada maciçamente em conteúdos brasileiros, é absolutamente hegemônica em audiência e conquistou um padrão de qualidade que se impôs no mercado internacional. É hoje talvez o maior produto de exportação brasileiro no campo da criação artística e cultural. O know-how por ela conquistado tem reflexos evidentes não só na criação de subprodutos de grande refinamento artístico - muitas das chamadas minisséries -, como até mesmo na recente produção cinematográfica nacional. Trata-se, é claro, de uma criação artística destinada ao consumo de massa, com tudo o que isso possa significar em termos de frustração da expectativa de maior sofisticação intelectual. Expectativa que, de resto, não chega a ser uma característica marcante do mercado livreiro. Mas o fato é que as novelas de televisão fazem sucesso em todos os estratos sociais. Até os leitores de bons livros as acompanham. Trata-se, inegavelmente, de um importante fenômeno cultural. E, claro, de um negócio extremamente lucrativo.

E por que a teledramaturgia brasileira está com essa bola toda, enquanto a nossa literatura definha?

Simplesmente porque, há cerca de meio século, desde as experiências pioneiras das TVs Tupi e Excelsior, as emissoras de televisão, Rede Globo à frente, têm investido pesadamente no gênero. Hoje se colhem os frutos daquilo que vem sendo plantado há 50 anos.

Enquanto isso, o big business editorial brasileiro investe, também pesadamente, em autores estrangeiros bons... de vendas. Ou na invenção de escritores conterrâneos que já chegam ostentando a precondição da celebridade...

"Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime. Se não for amada, não revelará a sua mensagem; e se não a amarmos, ninguém o fará por nós." Palavras de Antonio Candido de Mello e Souza, no prefácio à primeira edição (1957) de Formação da Literatura Brasileira.

Está na hora de dar ouvidos ao mestre!

A. P. Quartim de Moraes é jornalista e editor. E-mail: apquartim@dualtec.com.br

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

IRA EL

IRA.EL

qual a missão
do míssil?
arremessar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
arrasar
reza seu
catálogo
logo
haja faixa
de gaze
pra
estancar
o gozo
o gás lacrimoso
da gasta
gente de bom.ba
que geme
genuflexa
aos pés da santa crise. AS

CURIOSnãotemIDADE

Gaze, o tecido de algodão usado em curativos e ataduras, tem a ver com o território Gaza. Segundo o Houaiss eletrônico, Gaza vem do persa "gazí", "gaz" < 'vara´ que denotaria a largura da fazenda ou que seria derivado do topônimo; Ainda: Gaza, na Palestina, onde se supõe a existência de uma indústria têxtil.

Estanco por aqui.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Li por Aí - 02

Por Airton Soares

VEREADORES X SUS
"Uma pergunta: teria mais serventia para o nosso país a criação de 7.343 novas vagas de vereadores ou a criação de 7.343 vagas de médicos atendendo pelo SUS?"
Cláudio Navarro Silveira (MG), hoje na Folha (painel do leitor )

NA BOQUINHA NA NOITE
Se fosse por mim, este seria o título do livro “Crepúsculo”, de Catherine Hardwicke, que virou filme e inesperado sucesso de bilheteria. Trata-se de uma história de amor transcendente entre uma humana (adolescente, 17) e um vampiro, numa obra que transborda sangue, digo, poesia e romantismo com rara inspiração. “Amor além dos limites”.

CACHORRO E SAPATO
Notícia já bastante divulgada, excetuando o título deste verbete. Bush levou um tremendo susto neste domingo. Quase foi atingido por dois sapatos, atirados por um jornalista iraquiano que também o xingou de cachorro. Cachorro da onça, naturalmente.

POESIA-TESE - PAULOFREIREANA
Essa poesia atende pelo nome de "Vai já pra dentro, menino!" e Pedro Bandeira, escritor paulista de literatura juvenil mais vendido no Brasil, é o seu criador. Será declamada por mim, amanhã de manhãzinha (8h), na Academia Cearense de Letras. Nesta ocasião, a ACE – Associação dos Escritores Cearenses, da qual faço parte, realizará sua festa de confraternização. Sábado próximo passado, tive a grata satisfação de estreá-la (a poesia) na reunião da nossa AILCA.

Vai já pra dentro menino!
Vai já pra dentro estudar!
É sempre essa lengalenga
Quando o que eu quero é brincar...

Eu sei que aprendo nos livros,
Eu sei que aprendo no estudo,
Mas o mundo é variado
E eu preciso saber tudo!

Há tanto pra conhecer,
Há tanto pra explorar!
Basta os olhos abrir,
E com o ouvido escutar.

Aprende-se o tempo todo,
Dentro, fora, pelo avesso,
Começando pelo fim
Terminando no começo!

Se eu me fecho lá em casa,
Numa tarde de calor,
Como eu vou ver uma abelha
A catar pólen na flor?

Como eu vou saber da chuva
Se eu nunca me molhar?
Como eu vou sentir o sol,
Se eu nunca me queimar?

Como eu vou saber da terra,
Se eu nunca me sujar?
Como eu vou saber das gentes,
Sem aprender a gostar?

Quero ver com os meus olhos,
Quero a vida até o fundo,
Quero ter barros nos pés,
Eu quero aprender o mundo!

. . . . .. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . .
Vi...site. Há um perigo enorme de você gostar.
http://airton.soares.zip.net


Saúde e um bom fim de semana
Airton Soares, 56

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

MEU PRAZER DE CASA e de CLASSE

Por Airton Soares

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Vai já pra dentro, menino!
Vai já pra dentro estudar!
É sempre essa lengalenga
Quando o que eu quero é brincar...

Eu sei que aprendo nos livros,
Eu sei que aprendo no estudo,
Mas o mundo é variado
E eu preciso aprender tudo!
- - - - - - - - - - - - - - - - - -

Conheci-a ontem à tarde quando escarafunchava meus guardados. Já memorizei estas duas estrofes.

Para facilitar, na íntegra, a apreensão da poesia, esparramei cópias em todos os compartimentos do meu monastério. Inclusive no banheiro - o melhor estúdio.

No escovar dos dentes, no fazer da barba, no esvaziar da bexiga...vai-se declamando, vai-se encontrando possibilidades discursivas e corporais: “Vai já pra dentro...” Quando dar-se fé a obra está completa. Literalmente.

Ela atende pelo nome de “Vai já pra dentro, menino!” e Pedro Bandeira, escritor paulista de literatura juvenil mais vendido no Brasil, é o seu criador.

Este meu trabalho-diversão é parte integrante de um monólogo que aborda o tema leitura. Ainda sem título. Quando estiver tudo nos trinques, com certeza, os amigos e amantes das artes poéticas tomarão conhecimento.

Vai já pra dentro, menino!.....

Airton Soares – PAI – Poeta – Ator - Instrutor
http://airton.soares.zip.net

Comento post abaixo

Caro Silas,

Você é de morte! Foi-não-foi faz a gente reflet(r)ir acerca da inevitável passagem para o outro lado. Gostei do enredo, dos neologismos e das frases curtas.

A braço S

O morto que demora morrer

JOAO SILAS FALCAO SOARES

Inevitável com é, a morte transfere-o deste mundo dos vivos.
A notícia funérea sepulta-se nos ouvidos urbanos.
No velório velas acesas velam o morto na escuridão da noite.
A morte dele, abastecendo o caixão mortuário, é convergência de preces, desesperos e lágrimas coletivas.


Neste dezembro da sua morte tinha ele alma prestativa como a esperança aos desiludidos. Foi pleno pai. Marido de andor. Afetos.
Dores acesas nos olhos, a pequena cidade segue a morte dele para o cemitério.
Adeus! Adeus! Adeus!

Recluso a casa despaternalizada, o filho único enterra-se na saudade corrosiva do pai amigo. Dor, solidão, tristeza- mórbidos tecelões- vestem-no de mortalha interior.

A viúva isola-se dos olhos humanos. Das amizades de dezembros opostos a este de perus, abraços, presentes, bebidas, músicas, danças, sepultados.

A morte dele, desarrumando-lhes a vida, mata-lhes a vontade de viver.
Tudo realidade lutuosa. Semântica da dor em honras a ele.
Réquiem.

O terapêutico tempo passa. Passa.
O filho, quando perguntado, responde: o pai? O pai morreu.
Ela, se desviuvando.
Relâmpagos de dor.

O morto ainda vive.

Os anos nascem escorrendo a dor obituária.
Da viúva, como o sol retirando a escuridão, o tempo retira-lhe o luto n'alma, da clausura da casa revisitada.
A normalidade da dor esta morrendo.
É a ressurreição da vida.

O morto está morrendo.

As desoras do tempo somam os anos da morte dele.

Natal!
Nesta noite santa os convidados, acesos de alegria, o filho do pai amigo, a mãe festejam-se com perus ressuscitados engordando a ceia na casa do... morto.
Abraços! Bebidas! Presentes! Músicas! Danças!
Luzes!

Após anos à sombra do réquiem, festivamente todos dançam.

Ninguém morre de repente.

O papai? Morreu.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dois craques da poesia conversam

DALINHA CATUNDA e AIRTON ALBUQUERQUE

Dalinha Catunda disse...
Que poema amigo!!!! Arrasou!!!! matou a pau!!! PALMAS!!!!!Vou voltar um monte de vezes só pra ficar lendoDalinha Catunda
1 de Outubro de 2008 06:12


EueAlque disse...
Olá amiga da letras, que bom encontrar um fora da lei como eu. Fiquei lisonjeado com seus elogios e sei que são verdadeiros, pois um bom nordestino não elogia a toa. Também gostei de conhecer seus poemas que retratam a realidade do sertão do qual faço me dedico a escrever também. Oportunamente lhe enviarei alguns.Abraço do amigo Alque!!
7 de Outubro de 2008 17:23


Dalinha Catunda disse...
Alque, realmente encantei-me com seus escritos. E vou gostar de pegar mais intimidades com os prometidos.Um abraço e intéDalinha Catunda
9 de Outubro de 2008 14:26

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Assim falou o poeta

Por Airton Albuquerque

Assim o poeta falou:
Que já há em sua flor,
uma cor definida,
e que sua meta preferida
é regar com amor
sempre as nossas vidas.

Tanto faz ser lá de Coimbra
ou aqui do meu Ceará.
Aonde o cinza da caatinga
é uma febre com íngua,
mas não se deixa de amar.
Em casa grande ou senzala
há sempre um peito que não cala...
Mesmo não tendo luar.

Falo desde as terras quentes
onde brota o repente,
que faz sorrir e chorar.

De onde a vida
é estrema
como o poema,
“Iracema”, que vive
entre a serra e o mar.
Mas o bom banho é o da mente...
É como o sol nascente,
que vem a todos clarear.

Pássaros é o que todos somos,
desde os tempos do“Homo”
que não sabia falar.

Pois antes de haver o dia,
já tinha a poesia!
Ela vive em cada olhar.

Sei que sou pequenino,
mas nunca desafino!
E esse hino é pra todos cantar.
ALQUE

Valeu, Alque, o seu "Os Fora da Lei"

Usando suas palavras no Abraço é de todos, o espaço. É só "águas de março" nas quais navegamos sem sentir cansanço.

Nele, só existe uma regra que é não haver chic nem brega.

No Abraço, aonde tudo é entrega, cada mão traz um coração e sorriso de palhaço". Gostei quando você diz que no Abraço somos foras da lei, que regula esta humanidade sem nitedez lírica.

Clique aqui e leia 'Os Fora da Lei" De Airton Albuquerque (Alque)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

QUE LINDA AUTOBIOGRAFIA

Por Eudismar Mendes

O escritor Silas Falcão é um ser privilegiado, talvez por ter nascido no interior, num período junino. Há de se acreditar que a beleza de sua escritura flui da simplicidade de seu povo com as bênçãos dos deuses do Olimpo.

Usa um linguajar saudosista e nos reporta à infância. Contudo o autor sutilmente nos fala de cicatrizes já curadas, mas ao mesmo tempo nos dá a impressão, que ainda não suporta “a dor do mundo”.

Mesmo assim, percebo em seu texto, uma prosa poética, que muito nos emociona pela pureza de seus vocábulos impregnados de lirismo.

“Dos temperos da vida experimentei vários. Tive bolso farto e alma vazia”.
Depois de remeter-se ao passado onde “queimou futuros”, mostra-nos sua realidade atual. Com muita desenvoltura fala de seus entes queridos, insinuando que seu livro de crônicas seria o 4° filho.


Enfim: parece-nos um ser otimista preparado para a próxima “esquina do futuro”. Isso porque no momento apareceu-lhe um grandioso legado: - a felicidade.
Já se afirmou que: “homem algum é uma ilha”. O escritor supracitado apresenta-se frágil, diante das intempéries da vida.


Clique aqui e leia a autobiografia do escritor Silas Falcão.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Treme o chão do Sul

Por Jô Abreu

Idéias (14/4/2008)
Diário do Nordeste

As últimas décadas tiveram de tudo. Movimentos sociais nasceram e morreram, tivemos ditadura no País, mas a América do Sul, de maneira geral, parecia ter uma geografia definitiva e plácida.


De repente, a paz reinante entre os irmãos começou a ir para o espaço exatamente pelas relações de produção estabelecidas ao longo desse tempo. São sustos e sobressaltos que levaram o presidente brasileiro a dizer, na televisão, em rede nacional, que Hugo Chávez, o belicoso presidente da Venezuela, teria sido o grande pacificador da crise estabelecida entre a Colômbia e o Equador no episódio da ASFARC.Não mentia o presidente brasileiro.

Não há mentira nos movimentos diplomáticos, assim como ´não existe pecado do lado debaixo do Equador´. A diplomacia brasileira lida delicadamente com Chávez porque não convém nem ao Brasil, nem à América do Sul insuflar um homem de caráter nervoso, de reações imprevisíveis e armado até os dentes.Somos da paz, havemos de dizer. Afinal, quem tem uma fronteira de 11 mil km na Amazônia, objeto de desejo de tantos países desenvolvidos, não pode permitir que a família esfacele esses limites ou crie confusões tão grosseiras que se chamem às armas.

Contabilizemos os maus augúrios com calma para que não disparemos nossos corações civis. Evo Morales, da Bolívia, esfregou seu exército em nossas ´ventas´, invadindo a Petrobras, impedindo a instalação de siderúrgica brasileira e assustando nossos fazendeiros.

Agora, disparam os Paraguaios querendo mais sobre a Itaipu Binacional e ameaçando de expulsão os brasiguaios, nossos fazendeiros do outro lado da fronteira. São ataques para todos os lados que a diplomacia brasileira vem administrando honrosamente, só não sabemos até quando. Rezemos para que nossa combalida e desarmada defesa não tenha que improvisar num momento desses. Quanto mais agora que tem se dedicado, com tanta veemência, ao salvamento dos doentes da dengue no Rio de Janeiro.

Pipocas na panela

JÔ ABREU
Opinião Diário do Nordeste
Idéias (4/9/2008)
Pipocas na panela

Quando fui professora alfabetizadora, gostava de observar o fenômeno gestáltico do aprendizado da leitura. No início, as ações de ensino e aprendizagem pareciam se repetir sem progresso. Mas, num dado momento, um aluno ficava pronto e começava a ler. Depois, às vezes levava dias de completa agonia até que outro aparecia iluminado pelo milagre da leitura. Em seguida, iam explodindo como pipocas numa panela. E, no fim de um certo tempo, todas sabiam ler.

No Ceará, tenho observado, estamos como meus alunos do curso de alfabetização. As mudanças na educação vão acontecendo como pequenas explosões de novidades. É um município do interior que passa a oferecer dois turnos para todos os seus alunos do ensino fundamental, é o aparecimento de escolas municipais com atividades extra-turno, é a explosão dos cursos superiores nas carreiras de Estado.

Neste rol, encontra-se a Universidade do Parlamento Cearense, a Escola de Magistratura e a Escola do Ministério Público como unidades superiores de ensino que trazem uma formação acadêmica nova. Formam para as carreiras de Estado. Profissionais especializados na máquina pública, seja no Executivo, seja Legislativo, seja no Judiciário. Ação que completa a tão atrasada aplicação da Lei contra o nepotismo.

No lugar de parentes, pessoal certificado, gabaritado para a assessoria parlamentar, para a administração pública, para o magistério, prontas para interagir com os governos federal, estadual e municipal e para gerir recursos dessa mesma máquina. Uma ação que, com certeza, nós só sentiremos os efeitos positivos mais tarde, mas que se inicia agora sem retorno. Além disso, ONGs também pipocam em toda a cidade, buscando recuperar crianças e adolescentes em situação de risco por meio das artes, da aprendizagem profissional, do esporte.

São ações aparentemente esparsas e desconectadas, mas que, eu acredito, como as crianças que eu alfabetizava, começaram a pipocar e, quando menos esperarmos, nós estaremos falando de uma escola integrada, de dois expedientes, de excelência no trato com a coisa pública, e até, sabe Deus, do fim da corrupção e da violência.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ELA, DO MUNDO

Por João Silas Falcão Soares

E nesta noite ela está na calçada. A poucos metros dos seus olhos apocalípticos quadros de alma se imprimem nos cantos, risos, abraços. Ela, sem raízes, observa. Dentro todos se deliciam de Bach em Bach e no extenso mosaico de bufê. Presa à sua exclusão, ela observa. Martírio de Tântalo. A música ambiente cria coreografias na velha arte de dançar. Ninguém a cumprimenta. Ninguém a olha. Anatomia do caráter. Ela observa. Quantos anos têm estes minutos? A música muda, mudando as coreografias que não lhe oferecem os últimos centímetros do mosaico. Apoteose da gula. Maltrapilha, sem espaço natal, empanturrada de fome, na calçada do restaurante ela observa. Observa. Absorve-se. Ela, do mundo.
Ah! Diógenes, cadê sua lanterna?

O Mundo dos Vivos - lançamento

(22/7/2008) Diário do Nordeste

Batista de Lima
Assombroso Mundo dos Vivos

Houve um tempo em que tínhamos medo dos mortos. As almas penadas viviam zanzando à noite nas encruzilhadas, nas portas dos cemitérios, nas casas velhas e em qualquer lugar onde a escuridão trevasse. Quem não tinha medo dessas almas, é porque estava armado com as famosas palavras: ´Quem pode mais que Deus?´ Isso era o bastante para a alma responder: ´Ninguém!´. Muitas vezes esse era o começo de um diálogo que terminava com o pedido da alma para o desenterro de uma botija, ou o paga de uma promessa não cumprida. Hoje o medo das pessoas não é mais dos mortos, e sim dos vivos. Hoje se vive preso por conta dos vivos que andam soltos.

Atento a esse fenômeno, Carlos Roberto Vazconcelos intitulou seu livro de contos de Mundo dos Vivos, já que suas narrativas giram em torno de peripécias periculosas praticadas por aqueles que nos circundam. A publicação é da Expressão Gráfica e Editora, neste 2008, que em 115 páginas, deixa escorrer 32 histórias curtas que trazem à tona mistérios e escombros deste nosso mundo dos vivos.

Dos escombros desse mundo depauperado, emergem ´seres aflitos, vivendo a sensação da impossibilidade, no limite extremo e terrível entre o chão e o pulo´, conforme afirma Juarez Leitão, nas orelhas do livro. Já no prefácio, o saudoso Alcides Pinto prospecta nos contos, ´um sensualismo por vezes mórbido, por vezes dramático a percorrer a epiderme das personagens´. Não foi pois sem razão que essa coletânea de narrativas de Carlos Roberto ganhou o Prêmio Osmundo Pontes de Literatura, em 2007. Esse, no entanto, não é o primeiro prêmio literário ganho pelo autor. Afinal, desde o tempo de estudante, em sua terra natal, Tianguá, que ele vem ganhando certames literários, com suas narrativas que já pontificaram publicadas em antologias, revistas e jornais de nossa terra.

As narrativas desse primeiro livro de Carlos Roberto Vazconcelos são curtas, à moda Dalton Trevisan, mas carregadas de momentos inusitados, como armadilhas, tocaias e demais surpresas que surpreendem o leitor, como inclusive seu próprio sobrenome que é um ´Vazconcelos´ com ´Z´ e não com ´S´. Das tocaias da escritura às da pistolagem explícita dos nossos sertões , o autor trafega sem tropeços, mostrando seu conhecimento da arte de narrar em sintonia com os conheceres do grande sertão que nunca desgruda dos costados de quem nele nasceu.

Interessante é a epígrafe do livro, retirada de Máximo Gorki, que fiz: ´O que é pena é a vida mostrar-se pelo pior lado´. Coerentes com esse dizer, os contos vão mostrando do que são capazes certos viventes que nos cercam e que maculam muitas vezes o que há de belo e romântico em nossas vidas. Vivemos hoje sitiados nesse mundo dos vivos onde a inocência se enclausura em verdadeiras trincheiras para sobreviver à maledicência que impera nas ruas. Carlos Roberto atento a esse paradoxo mostra as entranhas de um cotidiano submerso em violências.

Esse cotidiano de violência possui razões sociais como a má distribuição da renda, mas há também razões familiares, desajustes que começam na falta de convívio harmonioso entre casais. Em ´Perdas e danos´ está uma das razões: ´Meu pai nunca fumou. Um belo dia, saiu para comprar cigarro e nunca mais voltou´. Esse é o primeiro episódio de que se lembra o personagem que termina por se tornar um frio matador. Mata as pessoas com uma frieza que cresce à proporção que vai fazendo vítimas. Lá pelas tantas, no entanto, ele conclui: ´... em minha vida tudo foi sempre tarde demais. Tarde demais para ser criança, tarde demais para ser família´.Outros tipos de violência vão sendo tratados no livro. Assim é o caso de ´Em nome do Pai... e do Coronel´. O pistoleiro é instado a fazer sua última missão, e vacila. A serenidade da idade madura é o que move o interesse do pistoleiro aposentado a uma tentativa de não se envolver mais com tocaias. Essa violência é a mesma que leva o marido a sacrificar a esposa quando descobre que ela está grávida, mesmo sendo ele um homem estéril. E assim vão desfilando histórias sempre marcadas pela presença de tânatos, como a do personagem descrevendo sua própria morte em ´A inescrutável face da morte´.

Essa morte é ´um escorregão idiota num dia de sol´. Essa morte está sempre se contrapondo a uma vida que teima em vingar. É um jogo de contrastes que se torna uma das marcas do estilo do autor. Por exemplo: ´Nunca me senti tão pequeno. Jamais chorei tão grande (...) Saí do sono como quem entra num pesadelo´. ´Minha mãe perdia peso e eu ganhava nome (...) Perdi também um irmãozinho antes mesmo de ganhá-lo´.

Com relação ao perfil de seus personagens, Carlos Roberto sempre os surpreende em seus momentos culminantes. São criaturas que estão com um pé no abismo. Ou pelo envelhecimento, ou pelo risco de vida que a situação impõe. Quando não é essa culminância, é uma situação inusitada que põe o personagem num patamar diferente do senso comum. É o caso do escrevinhador que escreve cartas para si próprio. ´Não vejo a hora de postar esta carta e voltar imediatamente para recebê-la´. Ou ainda o personagem que emagrece ao ler Dom Quixote. Então a mãe começa por esconder livros grandes para preservar a saúde do filho. Essa situação nos remete ao próprio Dom Quixote, no episódio em que os delírios do cavaleiro da triste figura são atribuídos às suas leituras. Então queimam-lhe os livros.

Por fim chega-se ao final do livro de Carlos Roberto com aquela vontade de encontrar outras histórias a mais. O bom narrador tem essa característica, despertar no receptor a fome de mais querer histórias. Daí que fica o pedido para saciar essa ânsia, que venha logo o próximo livro.

Lançamento: MUNDO DOS VIVOS -22/07/2008 - Livraria Oboé

E/D: Carlos Roberto, Marina Fernandes e Airton Soares





E/D:
Juarez Leitão, Tarcísio Tavares,
Assis Almeida, Carlos Roberto,
Batista de Lima e Luciano Jucá



E/D: Assis Almeida e Roberto












PEDRAS PEQUENAS

Por João Silas Falcão Soares

Jogaram uma pedra na Sua Excelência o Presidente do País. Alvoroço.

Quem jogaria uma pedra no Presidente? E por que não várias? Foram mãos criminosas? Mas, com uma pedra? Mãos criminosas não foram.

Quem joga uma pedra pequena num Presidente não quer matá-lo. Mas feri-lo. Menos no corpo. Mais na alma. Jogaram uma pedra pequena no Presidente.

E há tantas outras pedras. Maiores. Pesadas. Mortíferas. Pontiagudas, que poderiam causar-lhe maiores danos. Fatais. Uma fratura no braço.

Um traumatismo craniano. Até mesmo a morte. Mas não jogaram. Jogaram uma pedra pequena no Presidente. Sem gravidade bateu-lhe caindo dentro da alma, cheia de pedras pequenas. Jogaram uma pedra pequena no Presidente. E ela veio do povo, com as mãos cheias de pedras pequenas.

O ENCONTRO

Por João Silas Falcão Soares

Meus filhos, observem o relógio da vida. Ele é o centurião do tempo comandando o anúncio da chegada do futuro. Ele não pára. Não enquanto vivos vocês estiverem em seus corpos físicos. Que horas ele bate? Como um galo sertanejo, ele é o anunciador de novas auroras. E duas, para vocês, ele já anunciou: a infância e a adolescência. E agora, as batidas da mocidade. Ao todo, no seu vai-e-não-vem já são três as anunciações de vida. Restando, de saldo, as da maturidade e velhice, que somadas às três anteriores resultam em cinco distintos tempos existenciais.

Temos então, a cronologia do existir que se mapeia, em forma e conteúdo, da menor para maior visão do mundo. Haverão de me perguntar: Qual a melhor? A infância, com as doces ilusões dos brinquedos? A adolescência, povoada de inquietudes, de desejos e descobertas, de liberdade no imaginar? A mocidade contida de sonhos sem métricas? A maturidade, exigindo a certeza de tudo? Ou a velhice, manual de experiência de todas as batidas vividas? Todas! Respondo-lhes com a certeza de que o sol nascerá amanhã. Tempo de vida é o somatório das anunciações vividas. A anterior define a posterior.

Somos o que fomos ontem e seremos amanhã, o que somos hoje. A vida é produto das anterioridades cognitivas, transformadas em comportamentos. Portanto, atentem inteligentemente para as anunciações da mocidade. Atentem-se dentro dela construtivamente. Nunca transformem um belo pôr-de-sol em uma mancha amarelada. Nem as estrelas, em prateadas lágrimas por existir a escuridão no universo. A vida está habitada de belezas que muitas vezes nossas agonias mentais não nos deixam vê-las. Textualizem suas percepções com conteúdos justos e harmoniosos. Não façam da pequena lágrima uma grande dor crescida pelo fermento da incompreensão, do desespero. Untem aos seus espíritos os benefícios do bem querer e do respeito. Viva com intensidade jubilosa, esta terceira batida do viver. Preparem-se, pelo estudo e leituras, como seres humanos.

Ninguém, qualquer que seja seu valor existencial no presente, veio a este planeta para ser mais um número constituinte nos seis bilhões de humanos. Viemos com um propósito humano. Abraçar e não matar. Construir e não destruir. Unir e não separar. O estudo, a leitura, os livros lhes ajudarão, e muito, na descoberta e fortalecimento destes propósitos. Eles são luzes que não se apagam nunca. Amigos que não falham. Em qualquer escuridão eles estarão com vocês impedindo-lhes de serem tragados para os abissais da dor espiritual. Nessas regiões escuras da inconsciência, a dor é corrosão intermitente. Eu senti. Estive lá. Olhem insistentemente para o sorriso da exatidão, para que não cresçam descendo. Olhem bem, e bem espontaneamente sorriam para ele. Só assim vocês crescerão subindo. Acreditem sempre que no fundo do mar de vocês existem fabulosas riquezas emergíveis. Nunca deixem de extrair dessa profundidade sublime, pelo andar em si mesmo, a beleza que tudo cria. Dentro de nós existem riquezas como nas entranhas da terra. O processo de extração delas nem sempre é fácil, rápido. Ás vezes é doloroso e demorado, porque o caminho do sofrimento é uma via-crucis obrigatória à lapidação da beleza. Igual acontece ao diamante que se torna belo pela pressão das camadas da terra. Respeitem, e muito, a mocidade em cada um de vocês. As duas próximas batidas do relógio da vida dependem de como vocês a tratam. Lembrem-se! Somos o que fomos ontem e o amanhã está nascendo justamente hoje. Não façam dele uma triste crônica de uma mocidade crônica. Nutram-se de realizações verdadeiras. O cultivo de boas amizades é uma delas. Pensem, analisem até a exaustão dos seus pensamentos, antes de julgar seus semelhantes. O julgamento eleva ou condena. E as decepções não são eles, mas nossas falsas percepções. Não sejam mais umas ondas por conta de outras ondas. Sejam autênticos. O poder da influência tem importância até o momento em que preservamos o respeito à nossa própria consciência. Ela sempre nos aconselha que todos somos humanos vulneráveis a erros a que os desacertos dos pensamentos nos conduzem.

Nunca deixem de crer em vocês, mesmo que todos desacreditem. A sociedade aplaude a vitória do vitorioso porque a vê num pódio, num teatro, na televisão. Mas quantas vitórias nos aparentes derrotados estrugem nos silêncios de suas almas e que não são vistas sob o sol ou a lua, porque lhes faltaram apoios humanos, técnicos e financeiros?

Criem, pela leitura superior, uma mente ensolarada e verão que as incógnitas de algumas realidades não resistirão às investidas dessa claridade mental. Não se desvivam pelo ódio, pela cobiça material desenfreada e pelo egoísmo timoneiro. Criem o hábito da paciência apostolar para que nenhum destes vis sentimentos supere o poder da reflexão consciente que conduz sempre à técnica certa do destino. Cultuem as falas nutridas que nunca vêm do olhar mental estéril, mas sim da sensibilidade de exceção. Lutem, até o último olhar existencial, contra o poder corrosivo do defeito. Ele sempre os seguirá como uma erva daninha obstruindo o desenvolvimento sadio do belo jardim que compõe seus espíritos.

Por fim, meus filhos, vivam esse encontro com a mocidade na justa medida de todas as coisas. Permitam suas consciências, para que as batidas da maturidade e velhice venham com a paga espiritual da felicidade.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Edgar Rice Burroughs - nasceu em 01 set 1912

Tarzan é um personagem de ficção criado pelo escritor estadunidense Edgar Rice Burroughs no romance Tarzan of the Apes, de 1912.

O personagem apareceu em mais vinte e quatro livros e em diversos contos avulsos. Outros escritores também escreveram obras com o herói: Barton Werper, Fritz Leiber, Philip José Farmer etc.
Tarzan é filho de
ingleses, porém foi criado por macacos "mangani" na África, depois da morte de seus pais. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde Greystoke.

Tarzan é o nome dado a ele pelos macacos e significa "Pele Branca". É uma adaptação moderna da tradição mitológico-literária de heróis criados por animais. Uma destas histórias é a de Rômulo e Remo, que foram criados por lobos e posteriormente fundaram Roma.

Sai mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tarzan

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Minutas do Caos - Frederico Regis

Vídeo-produção: Abraço Literário

O escritor e poeta Frederico Regis foi o entrevistado de ontem (quinta, 28/8/08), no teatro SESC - Iracema. O evento faz parte do projeto `Bazar das Letras´ - Sesc que acontece sempre na última quinta-feira de cada mês. Após a entrevista, em momento de descontração, Fred "falou" sobre o seu livro MINUTAS DO CAOS.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ednardo Gadelha


Ednardo Gadelha.
Nascido em 25/11/1964, Fortaleza. Graduado em Letras (UECE), pós-graduado em Lingüística (UFSC) e em Ensino de Língua e Literatura (FATE). Professor de Língua Portuguesa e Literatura do Estado do Ceará e coordenador de projetos no SESC/CE. Poeta e editor da Ceia Literária desde 1982, membro do “Abraço Literário” (Biblioteca SESC) e da ACE (Associação Cearense de Escritores).
Clique aqui e leia os textos de Ednardo Gadelha.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Marina Fernandes :: Orquestra Eleazar de Carvalho


Angústia

Por João Silas Falcão Soares


Neste momento, em que você inicia a leitura desta crônica, alguém necessita de um pensamento que acabe com a tristeza de não ter jeito, com o desespero corrosivo.

Dentro deste minuto que anunciará a hora do ângelus alguém lamenta a ausência de um pensamento que acabe com a solidão, com o vazio que anula a alma. Sob o crepúsculo deste domingo alguém grita urgentemente por um pensamento de amor, de união, de paz. Um que conduzirá a Pasárgada- a outra civilização.

Neste momento em que a noite acende o brilho das estrelas alguém sem sorrisos, sem amigos, sem o manto do abraço, sem saldo de esperanças, sem uma palavra de elevação necessita de um pensamento.


Alguém sabe dele?

O endereço?

O telefone?

O e-mail?

Dentro desta humanidade apressada alguém quer um pensamento com cheiro de Deus, que ensine a bondade, um viver sem a ditadura do egoísmo.

Neste momento, em que você termina de ler está crônica alguém — não se sabe quem, o que faz, se é rico ou pobre — precisa desesperadamente de um pensamento. Um pensamento mestre.

sábado, 23 de agosto de 2008

MARINA FERNANDES


Nasci em Brasilia no dia 24 de agosto de 1963, escrevo desde os dezesseis anos de idade quando através de um sonho na adolescencia me apaixonei por um cantor, e foi uma paixão avassaladora. A partir daí despertou em mim a poesia e valeu a pena. Ele é um cara simples, gentil, muito talentoso e dedicado. É um grande poeta e dispensa apresentação.



Foi através de suas musicas que me tornei poetisa.



Em 1983 passei a morar em Fortaleza e conheci a Ceia Literária. Junto aos poetas da Ceia aprendi muito e publiquei com eles varias coletâneas.

Em 1997 passei a ser presidente da Ceia Literária.

Em 1986 descobri a técnica da Colagem assim realizei várias exposições de artes.

Participei como soprano do Grupo Vocal Porta voz, do grupo vocal Samba e poesia, do Coral Coloral. do Coral dos Correios e atualmente canto no Grupo Vocal Moenda de Canto.

Sou graduada em Pedagogia.

Tenho dois livros no Prelo: um se chama 'O Menestrel 'escrito a apatir de 1979 a 2007 totalmente dedicado ao cantor e compositor Oswaldo Montenegro e o outro se chama 'Perdas Temporária e Lucros Eternos' onde relato em forma de poesia experiências vividas inerente ao ser. 'Se ele é o artista que a crítica detesta é ele também que a uma legião de fãs a poesia empresta.1991'


Poesias de Marina Fernandes

BAILARINA

MADALENA

Doce Menestrel

TRADUZIR-TE

VOZ

NUA

ASA DE LUZ

MESMAS CANÇÕES

GIGANTE

SEPARAÇÃO

VIDA

PEDRA

NOVA VIDA

BLUE

PINCEL

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

JOÃO SILAS FALCÃO SOARES




Nasci sob o calor urbano das fogueiras de São João. Meu olhos recém nascidos não viram os fogos celebrando o ritual do apadrinhamento humano que as fogueiras idealizaram.

Minhas mãos, que hoje acalentam meus cinquenta anos neste mundo, não tinham movimentos para debulhar o milho assado. Nem meus ouvidos a consciência da sanfona, do zabumba e triângulo. A rua da minha infância sem cruz era a da Cruz, que olha de frente para o meu rio, o Poty. A praça, em frente da qual minha casa vigiava minha mocidade, era a da Matriz.

Crateús é meu primeiro endereço nesta grande laranja azul. Hoje, o meu rio secou. As fogueiras, apagaram-se. O milho, o tempo debulhou. A minha rua é uma grande cruz de saudades que carrego pelas ruas e avenidas cheias de sol desta loura desposada. Dos temperos da vida, experimentei vários. Tive bolso farto e alma vazia. Ocupei cargos aplaudidos e vaiados pela minha razão como os grilos vaiam a escuridão.

Não havia chorado uma grande dor. E quando chorei, queimei futuros. Por anos. Ô tempero pesado, esse de que é feito uma grande dor. Sarei dela, de quem recebi uma herança: retorno a leitura, que me jogou dentro da literatura. Desse tempero dos Deuses nasceu meu quarto filho- A Prisão de Deus- meu livro de crônicas. Os olhos públicos o desconhecem. É que ele está precisando só de uma roupinha para o batismo. O que não tardará.

O sol se despede abrindo as portas para a noite entrar. Assim é a passagem do tempo.

Hoje, os fogos são outros. Minha faculdade de Administração. O Abraço Literário. A Minha Voce Moda Cultural. O Instituto Você e a Casa da Literatura que são projetos de desenvolvimento humano que me aguardam na próxima esquina do futuro. Meu número é o 100 da Associação Cearense de Escritores.

Provei temperos na vida que me sugaram trinta quilogramas de gorduras. Hoje acredito que a felicidade mais saborosa é a que vem depois do tempero de arrancar águas dos olhos.

Estou feliz. Amo meus filho, a leitura e minhas amizades, principalmente as dos encontros literários. Mas cá entre nós, tem dias que a dor do mundo é tão grande que cria urros de necessidade de voltar para barriga de minha mãe. Enquanto ela é viva.

ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

A Academia Cearense de Letras (ACL) é a entidade literária máxima do estado do Ceará. A ACL é a mais antiga das Academias de Letras existentes no Brasil, fundada em 15 de agosto de 1894, trés anos antes da Academia Brasileira de Letras. Rua do Rosário, nº 1 -Centro - Fone (85) 231-5669 CEP 60005-590 - Fortaleza, CE - E-mail: acletras@accvia.com.br.

Saiba mais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_Cearense_de_Letras#Diretoria

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Carlos Roberto Vazconcelos - Biografia


Carlos Roberto Vazconcelos é cearense de Tianguá, onde conquistou seu primeiro prêmio literário (1º lugar-poesia - Semana Estudantil - 1986). Nasceu em 15/8/67. Formado em Letras. Membro da Ceia Literária e do Círculo de Leituras do SESC (Abraço Literário). Professor e Redator.

Publicou Mundo dos Vivos (contos)

Conquistou os seguintes prêmios literários:

Prêmio Eduardo Campos de Contos e Crônicas (2008) - ACE;
Prêmio Osmundo Pontes de Literatura - Academia Cearense de Letras (2007);
Prêmio Clóvis Rolim de Contos - Academia Cearense de Letras (2006);
2° lugar no Prêmio Natércia Campos de Contos (2006) - Ed. Premius;
IX Prêmio Cidade de Fortaleza-poesia (2000) – FUNCET.

§ Já publicou trabalhos em 16 coletâneas.

carlosvazconcelos@hotmail.com

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Como sou?

Por Eudismar Mendes

Noite alta e eu a arrumar velhas quinquilharias nas gavetas da escrivaninha. Rasgando um papel aqui, outro ali, deparo-me com a foto da escultura de “O Pensador” de Auguste Rodin. Os críticos afirmam que esse escultor passa uma imagem de “insegurança” através dos efeitos inovadores de suas esculturas. E ainda: “tornou visível a manifestação da alma humana por meio de gestos e expressões enérgicas e penetrantes”.


Alma...

Quero saber se existo, pois às vezes, não me conheço. Outras horas me entendo como um ser preconceituoso e cheio de defeitos. Às vezes desejo um silêncio de mim, mas não consigo, pois vêm à tona todas as tolices que já cometi. Contudo sou uma eterna curiosa e busco o conhecimento aprendendo com as pessoas, mas também com os meus próprios erros.


Se tenho medo? Meu Deus! Quem não o tem? Vivemos no país do medo, isso porque a insegurança está até mesmo dentro de nossos lares.

Ainda não houve um basta à violência e não temos mais esperança de que isso possa acontecer. Com as mudanças advindas do primeiro mundo vivemos brincando de faz de conta. Fico triste porque às vezes tenho medo até de uma criança, quando sou abordada nos sinais de trânsito. Também não gosto de passar embaixo de escada, não gosto de encontrar um gato preto... Sei que essas superstições herdei de minha mãe que era altamente supersticiosa. Politicamente correto seria desacreditar de tudo isso.

Por outro lado, gosto de sair de mim e me sentir outra pessoa. Não é uma fuga, mas uma necessidade de adquirir novos conhecimentos. Tenho verdadeiros momentos de silêncio de mim e das pessoas que me cercam. Nesses instantes eu vejo! Vejo alguém que me quer muito bem e que me ajuda nas horas mais difíceis. Só que quando estou sendo ajudada não vejo nada! Mas sinto, principalmente, quando estou escrevendo. Sei que essa necessidade imperiosa de escrever é justamente impulsionada por essa “força estranha” que realmente existe em mim, que apodera-se de mim e me faz levitar nos campos magnéticos do meu intelecto.



AUSÊNCIA

Por Eudismar Mendes

Há em mim um vazio inexplicável e busco respostas, pois não deixarei que morra o meu desejo de ser vibrante em todos os momentos. Olho o céu. As nuvens brancas formam carneirinhos no azul do firmamento. É dia. Sinto tua falta, como sinto a ausência das estrelas, que em noites sem luar, tal e quais vaga-lumes, piscam e clareiam tenuemente a Via Láctea.


Estou apática outra vez. O céu agora está coberto de nuvens enegrecidas. Há uma brisa suave. Começo a rememorar algo e procuro esquecer, pois a mágoa só nos traz exaustão. Não quero ficar magoada. Busco a luz, luz é vida. Quero ter em mim a fé dos desesperados. Não posso deixar um legado de nódoas do meu passado. Não sou misteriosa, mas igual aos veleiros: gosto de aportar em portos silenciosos.

Fortaleza, 21/o6/2008.
Eudismar Mendes

ROBSON


Robson

LÚCIA MARQUES


Lúcia Marques

Sobre autobiografia de Silas Falcão


Airton de Sousa
Olá amigos do abraço literário, em especial SILAS FALCÃO.
Concordo com a EUDISMAR sobre sua biografia, muito rica, com essas subidas e descidas que a vida sempre nos traz, mas são elas que nos fazem crescer e tirar lições para o futuro.Amigo SILAS, também já passei por alguns temperos indesejaveis e tive que enmgoli-lo... Temos que tocar o barco, há sempre alguem dependo de nós. UM GRANDE ABRAÇO DO AMIGO AIRTON[ALQUE]
P.S. Hoje fiz uma homenagem ao abraço literário, compondo uma pequena canção, aqui está a letra.

“ OS FORA DA LEI “ Só existe uma regra; é de todos, o espaço!
E na hora da entrega, o rio que se navega,
É o das “águas de março”.
Na planta que ele rega, tem sorriso de palhaço.
E não há chic nem brega...
Nele fico léguas, sem sentir cansaço.
Esse pensamento, eu sei é o mesmo de vocês!
Que sempre em cada mão, trazem um coração...
Pondo-nos fora da lei. ALQUE

AGLAIS BEZERRA


Aglais Bezerra

ELIANE LIMA


Eliane Lima

IRENE VIANA


Irene Viana

EUDISMAR MENDES

Eudismar Maria Fernandes Mendes, professora aposentada, nasceu em Catuana-CE em 1939. Aos 11 anos conquistou o prêmio literário com a historia: “OS coquinhos”- da revista Sesinho. Formada em Letras. Membro da Associação Cearense dos Escritores, Círculo de Leituras do SESC-CE (Abraço Literário) e da Criação Literária (Encontro com a Palavra) SESC-CE.

Publicou os seguintes livros: “Sangue sobre o Asfalto” e:“Máscaras da Face”.
Conquistou o 7° lugar do prêmio: Eduardo Campos de Contos e Crônicas (2008), da Associação Cearense dos Escritores e Ed. Premius. (Crônicas).
Publicou na coletânea: “Acordes Literários”- SESEC-CE os contos:
Um Grito no Escuro;
Esperança, a Enviada de Deus;Gritos do Inconsciente.

CRIS MENEZES


Cris Menezes

JÔ ABREU


Jô Abreu

LÚCIA CRISÓSTOMO

Lúcia Crisóstomo

ASSOCIADOS - Índice

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Clique AQUI e veja todos os links dos associados

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Airton de Sousa

Airton Soares

Aglais Bezerra

Carlos Roberto Vazconcelos

Cris Menezes

Ednardo Gadelha

Eliane Lima

Eudismar Mendes

Irene Viana

Jô Abreu

João Silas Falcão Soares

Lúcia Crisóstomo

Lúcia Marques

Marina Fernandes

Robson




quinta-feira, 14 de agosto de 2008

VÍDEOS - índice

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Airton Soares

Carlos Roberto Vazconcelos

CARLOS ROBERTO VAZCONCELOS

O escritor Carlos Roberto Vazconcelos fala sobre o poeta Alcides Pinto

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Sinal Vermelho
(Homenagem ao poeta José Alcides Pinto)

Sinal vermelho. Da janela do meu carro avisto o velho poeta atravessando a rua. Meus olhos vão seguindo aquele vulto, meio capiongo, já passos lentos. Vai conduzindo sua solidão ou por ela vai seduzido.

A solidão do poeta é povoada por seres deste e doutros mundos. Olho da janela do meu carro. O poeta não precisa de automóvel, é alado, e diáfano, por isso a multidão nem desconfia que ele existe.

Ele mesmo se pergunta, ou aos deuses, quem sou eu?, mas não obtém resposta. Aliás, respostas não são o forte dos poetas, que se contentam com as dúvidas. Para onde vai o turbilhão? Sem saber, os carros param para o poeta passar, a rua pára, o vento dispara uma rufada de gratidão. O semáforo é quem decide: vida ou morte. As calçadas esquivam-se dos pedestres.


O velho poeta segue repletamente vazio. Seus labirintos lhe bastam, o que não olha é o que vê. O velho poeta vai sobraçando papéis avulsos e a lânguida certeza de que a morte é conspiração. Uma certeza íntima, pouco lembrada, que resulta em mistério, contravenção ou metafísica.


Sou a platéia do velho poeta. Vejo-o transitar pelos meandros da babilônia e penso: a cidade inteira é menor do que o velho poeta.

Texto de Carlos Roberto Vazconcelos

carlosvasconcelos@sesc-ce.com.br

RESPOSTA DO ALCIDES EM 22/8/07

Carlos, mexendo em papéis antigos encontrei Sinal Vermelho (homenagem ao poeta José Alcides Pinto). Gostei muito do texto. Sempre me acontecem essas surpresas. Vá me desculpando, mas só agora tomei conhecimento do trabalho. Vou mandá-lo para a revista Bússola: direção Marcius Tarcisio Sales. A revista tem uma inteligente equipe de reporteres. Mandarei para vc o exemplar que traz minha entrevista, logo que seja editada.

Kd Mundo dos Vivos e A Inquietude da Busca? Afinal de contas, foram ou não editados? Qdo lhe sobrar tempo veja meu telefone)32263428.

Abraços
José Alcides Pinto



COMENTÁRIO DA PROF. AÍLA SAMPAIO EM 14/8/08

Carlos!

Gostei demais dos teus textos sobre o Alcides Pinto. Nossa... a gente até pensa que ele ainda está por aí, 'conduzindo sua solidão', como dizes. É difícil assimilar a morte repentina. Fiquei emocionada, pq gostava demais dele e ele de mim. Conheci-o em 1987, qdo lancei o meu primeiro livro: imatura, mas apaixonada pela poesia. Ele escreveu um texto lindo sobre o livro e publicou no jornal. Depois escreveu o prefácio do segundo, aí eu entrei na vida acadêmica e parei... ele sempre
reclamava. Sempre! Valeu!

Abraço,
Aíla Sampaio

MUNDO DOS VIVOS

O escritor Carlos Roberto Vazconcelos fala sobre
o seu livro MUNDO DOS VIVOS

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